Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Bolsonaro convida Caiado e outros governadores para posse de Milei, na Argentina

O ex-mandatário convidou, até o momento, cinco governadores para a posse do presidente direitista. Espera-se, também, que congressistas acompanhem a comitiva. Dentre eles, o bolsonarista goiano, Gustavo Gayer

Postado em: 23-11-2023 às 09h30
Por: Redação
Imagem Ilustrando a Notícia: Bolsonaro convida Caiado e outros governadores para posse de Milei, na Argentina
Até o momento, Tarcísio e Jorginho Mello são os únicos com presença confirmada no evento | Foto: Allan Santos/ABr

Francisco Costa e Luan Monteiro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não quer chegar desacompanhado na posse de Javier Milei na Presidência da Argentina, marcada para 10 de dezembro. Pensando nisso, o ex-mandatário convidou, até o momento, cinco governadores para a posse, incluindo Ronaldo Caiado (UB). Além de Caiado, o ex-presidente também convidou Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina e Ratinho Jr.(PSD), do Paraná.

Até o momento, Tarcísio e Jorginho Mello são os únicos com presença confirmada no evento. Além dos governadores, o ex-presidente também deve levar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e assessores próximos, como o ex-secretário de Comunicação (Secom) Fábio Wajngarten.

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Na segunda-feira (20), Bolsonaro contou à Folha de S.Paulo que iria à posse já que “Lula não vai”. Ele foi convidado por Milei. “Se o Lula fosse, ficaria difícil. Mas como o Lula não vai, não deve ir, as coisas ficam mais leves”, afirmou. 

Outra personalidade goiana que deve embarcar rumo à festa no país vizinho é o deputado federal bolsonarista, Gustavo Gayer.  Ele deve ir a Buenos Aires em caravana com outros parlamentares aliados do ex-presidente.

“Acho que vão pelo menos uns 30, entre deputados e senadores”, afirmou Ciro Nogueira à coluna de Malu Gaspar, no veículo de comunicação. O Jornal O Hoje também procurou a assessoria de comunicação do deputado Gustavo Gayer, mas não obteve retorno. 

Situação complicada

Por falar no deputado federal, Gayer foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por racismo contra o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida. A ação é da última segunda-feira (20), Dia da Consciência Negra.

A denúncia foi baseada nas declarações do deputado durante entrevista concedida a um programa de podcast na internet, em junho deste ano. Na ocasião, Gayer associou africanos a pessoas com quociente de inteligência (QI) baixo. 

Durante a conversa com o apresentador Rodrigo Barbosa Arantes, o deputado disse que a população daquele continente não tem capacidade para viver em um regime democrático. Na entrevista, o deputado ainda chamou o presidente Lula de “bandido”.

Após as declarações terem sido levadas à PGR pela Advocacia-Geral da União (AGU) e parlamentares da base governista, o deputado publicou nas redes sociais uma mensagem contra Silvio Almeida. “Mais um para provar que QI baixo é fundamental para apoiar ditaduras. Infelizmente temos um ministro analfabeto funcional ou completamente desonesto”, escreveu.

De acordo com a vice-procuradora em exercício, Ana Borges Santos, as declarações de Gayer não estão cobertas pela imunidade parlamentar. “As palavras empregadas não estão alcançadas pela imunidade, porque o discurso foi dolosamente ofensivo, injurioso, depreciativo, aviltante”, escreveu a procuradora.

À época, o deputado afirmou que sua entrevista foi tirada de contexto e publicada na internet. O parlamentar declarou que fez comentários sobre a qualidade da educação e subnutrição no continente, fatores que, segundo ele, têm impacto no QI da população.

Contraponto

Após a denúncia, o deputado emitiu um novo posicionamento. Por meio dos advogados, afirmou que a denúncia deve ser analisada com muita cautela. “Primeiramente, a anterior Vice-Procuradora-Geral da República, Lindora Araújo, já havia se manifestado no sentido de se proceder com a oitiva prévia do Deputado, para, posteriormente, analisar a possibilidade de deflagração de inquérito. De maneira açodada, a Vice-Procuradora-Geral da República interina, Ana Borges Coêlho dos Santos, absurdamente vislumbrou autoria e materialidade delitivas na conduta do parlamentar, sem que pudesse apresentar seus esclarecimentos.”

Ainda segundo o parlamentar, a denúncia apresentada ao STF se fundamenta em cortes pinçados, sem qualquer conexão lógica, extraídos de uma entrevista que teve duração de 2 horas. “O corpo jurídico do parlamentar, já antevendo uma possível ação com o intuito de desgastar politicamente sua imagem, antecipou suas ações e providenciou a redução a termo do inteiro teor do podcast mencionado, que demonstra a total distorção da fala já citada, que, em verdade, foi inteiramente pautada em argumentos científicos citados no debate.”

De volta à Argentina

Candidato da direita radical, Milei venceu o ministro da economia, o peronista Sergio Massa, por 55,7% a 44,3%, no último domingo (19). “Hoje começa a reconstrução da Argentina, hoje é uma noite histórica para a Argentina”, disse o presidente eleito no discurso de vitória.

“Obrigado a todos os que fizeram que isso fosse possível, à equipe que vem trabalhando há dois anos para conseguir o milagre de ter um presidente liberal e libertário”, continuou. Já o peronista reconheceu a derrota antes do fim do pleito.

“Esta jornada de hoje ratifica uma coisa frente a tanta discussão: a Argentina tem um sistema democrático forte, sólido e que sempre respeita os resultados. Obviamente os resultados não são os que esperávamos, e me comuniquei com Javier Milei para parabenizá-lo, porque é o presidente que a maioria dos argentinos escolheu para os próximos quatro anos”, declarou Massa.

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