Terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

O resgate do jeito infalível de Maguito de fazer política

Parece que o consenso vai devolver o clima da vitória, unânime, do MDB aparecidense

Postado em: 27-11-2023 às 08h08
Por: Yago Sales
Imagem Ilustrando a Notícia: O resgate do jeito infalível de Maguito de fazer política
Parece que o consenso vai devolver o clima da vitória, unânime, do MDB aparecidense | Foto: Reprodução

As eleições municipais em Aparecida nunca foram fáceis. Quem entrou na engrenagem para disputar ao posto de prefeito da segunda mais importante cidade de Goiás não podia deixar passar despercebido os adversários. Nem o experiente ex-governador Maguito Vilela se esquivou da astuta oposição quando tateou a possibilidade de candidatar-se lá em 2008. 

Perspicaz, influente no MDB, que, naquele ano, ainda tinha a influência de grandes nomes emedebistas, como Iris Rezende Machado, Maguito sabia como negociar, conversar, propor, impor-se. Não deu outra. Fez política e história em Aparecida com duas vitoriosas candidaturas, atraindo a atenção tanto de políticos de fora quanto do setor privado. Afinal, como um plantador de rosas, Maguito cuidou da terra aparecidense para que pudesse, dali adiante, mirar sempre à frente. 

Duas eleições depois, 2008 e 2012, Maguito precisava escolher o seu substituto. E ele veio: o jovem vereador Gustavo Mendanha, também do MDB. Evangélico, atento a tudo da política, o rapaz não apenas sucederia Maguito, sendo eleito em 2016 e reeleito, de maneira unânime, em 2020, como se tornaria um líder capaz de influir em qualquer mesa de discussão política, mesmo com adversários. 

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Prevendo os estragos que se poderia ter caso o grupo de Mendanha – ou do próprio Maguito Vilela? – a preocupação está em torno da candidatura de Vilmar Mariano, Vilmarzinho, que tem a missão de vencer e, com isso, dar continuidade ao modus operandi de Maguito e, conseguinte, Mendanha, de se fazer política e gestão na cidade. 

Aparecida, nas palavras do próprio Maguito, deixou, ainda nos tempos de sua gestão, de ser uma cidade dormitório para gerar o próprio emprego, o próprio lazer e a própria riqueza. Maguito, com o network em Brasília, e uma equipe capaz de captação e gestão de recursos, fez uma invejável e revolucionária administração. Rasgou avenidas, com eixos estruturantes, praças, construiu escolas, Cmeis, unidades básicas de saúde e, além de tudo isso, atraiu investimentos bilionários com o Polo Industrial. Como prefeito, agia como governador. 

Nas reuniões, e em conversas privadas, é este o espírito da coisa que é pregada para atrair cada vez mais devotos – da política de Maguito – para ajudar, de maneira republicana e adotada, no projeto de reeleição de Vilmar Mariano. Não é raro compreender a importância de tudo isso.

Embora Vilmarzinho tenha enfrentado diversas dificuldades, por ter assumido a prefeitura num contexto de rompimento, e, depois, fazer campanha contra o governador Ronaldo Caiado, e, claro, pela exigência de se fazer política como os antecessores, existe um quê de confiança nas intenções dele. Tradicional vereador na cidade, Vilmar Mariano, como os próprios aliados costumam dizer, tenta, o máximo possível, seguir os mandamentos da política que os antecessores fizeram na cidade.

Talvez por isso nem se pensou em rifá-lo, colocando outro em seu lugar. O vice-governador Daniel Vilela, presidente do MDB, o mais interessado em manter a memória política do pai em Aparecida, confia em Vilmarzinho e tem feito o máximo possível, ao lado de Mendanha, para consolidá-lo como o político de continuidade de Maguito e Gustavo. 

O repórter Felipe Cardoso escreveu no O Hoje este final de semana como foi um evento em Aparecida, onde estiveram, ao lado de Vilmar Mariano, o aguerrido crítico e presidente da Câmara André Fortaleza, que ameaçou sair do MDB para concorrer na oposição e Vetter Martins (Patriota). Os discursos ficaram em torno da união, ressaltando a memória de Maguito e o otimismo de desestimular Professor Alcides (PL) a concorrer após deixar a base de Vilmarzinho.  

História 

Bom lembrar que, em 2008, quando candidatou-se à prefeitura, Maguito deixou o cargo de vice-presidente do Banco do Brasil, em Brasília, e chegou à cidade limítrofe da capital causando estranheza às forças políticas locais, sobretudo o mais gabaritado deles na ocasião, Marlúcio Pereira, à época no PTB, que carregava consigo um cardápio partidário: PR, PSDB, PT, PRTB, PTN, PSDC, PRB, PSB, PRP e PSL. 

Logo após a convenção que determinou Maguito como o candidato, a coligação de Marlúcio questionou a escolha do adversário da Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por sua vez, negou o indeferimento da candidatura de Maguito. No primeiro turno Maguito venceu o pleito com 76,76% dos votos válidos. Em segunda posição ficou Marlúcio com 22,31% dos votos.

O êxito se repetiria em 2012, quando Maguito puxou para sua base alguns dos líderes daqueles partidos que tentaram impedi-lo de eleger-se prefeito. O MDB teve na coligação PRB (atualmente Republicanos), PT, PTN (não existe mais), PSC, PMN, PSB, PRP (fundiu com o Patriota),  PPL (incorporado ao PCdoB) e PC do B.

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