Terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Senadores goianos não alcançam consenso sobre indicação de Dino ao STF

Bancada goiana conta, por ora, com três diferentes opiniões sobre o mais recente nome escolhido por Lula para a Côrte. Flávio Dino, em paralelo, percorre, dia sim outro também, os corredores do Senado em busca de apoio

Postado em: 02-12-2023 às 12h30
Por: Felipe Cardoso
Imagem Ilustrando a Notícia: Senadores goianos não alcançam consenso sobre indicação de Dino ao STF
No início da última semana, Dino declarou a jornalistas que buscaria diálogo com todos os senadores que se mostrassem dispostos a recebê-lo | Foto: Reprodução

Conforme mostrado pela reportagem do O Hoje, o até então ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Lula, Flávio Dino, tem percorrido incansavelmente os corredores do Senado Federal em busca de apoio. Dino, todos sabem, foi indicado pelo presidente da República para a mais nova vaga do Supremo Tribunal Federal (STF), mas antes de chegar lá, precisa passar pelo crivo dos senadores. 

A missão, tratando-se de Dino, é tida como complicada. O imbróglio se justifica por dois fatores. O primeiro deles passa pela ampla quantidade de bolsonaristas ocupantes da Casa Alta. O segundo, e não menos importante, passa pelo viés político partidário do indicado. Se chegar à Côrte, Dino será, sem dúvidas, o ministro mais marcado pelo ativismo político do todos. E isso parece preocupar os senadores ou, ao menos, parte considerável deles.

No início da última semana, Dino declarou a jornalistas que buscaria diálogo com todos os senadores que se mostrassem dispostos a recebê-lo. Isso inclui nomes como o de Flávio Bolsonaro e Hamilton Mourão, por exemplo. “Quem não quiser [recebê-lo], paciência”, reiterou o indicado à Côrte.

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No que diz respeito a Goiás, o que se percebe é que a bancada goiana parece não falar a mesma língua. Levantamento realizado pelo jornal O Globo revelou o seguinte cenário: enquanto o senador Jorge Kajuru (PSB) revelou que votará “sim” para indicação de Dino, Wilder Morais (PL) votará “não”. Em paralelo às visões antagônicas de ambos os goianos está o senador e presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Vanderlan Cardoso (PSD). Questionado sobre seu voto, disse que “ainda não sabe”. 

No balanço geral da reportagem, o cenário se revela divido em quatro partes quase iguais. Enquanto 24, dos 81 senadores, afirmaram que votarão “sim”, 21 cravaram que votarão “não”. Outros 19 não sabem e 17 não responderam.

Os números revelam não apenas um cenário amplamente incerto, como também uma presença político partidária latente na decisão. Dos oitro senadores do Partidos dos Trabalhadores, todos disseram que votarão em favor do ministro. Na outra ponta, a maioria absoluta dos nomes do PL afirmaram que vão na contramão disso. O partido liderado por Jair Bolsonaro tem 12 senadores. Nove deles votarão “não” e três não responderam. 

Um dos que já cravou seu voto foi o Mourão. Conforme mostrado em publicação recente, o senador disse que receberia Dino em seu gabinete “por educação”. “Não receber é falta de educação, por outro lado, é o momento de, cara a cara, deixar claro porque não apoio sua indicação para o STF”, comentou em entrevista à imprensa. 

Se o cenário atual for o mesmo lá na frente, Dino pode entrar para a Côrte figurando entre os nomes que enfrentaram maior resistência na série histórica de indicações ao STF. De 2002 para cá, o ministro que obteve maior quantidade de votos contrários ao seu nome foi André Mendonça. Ele foi indicado por Jair Bolsonaro, em 2021, e contou com 47 votos favoráveis e 32 contrários. Outro que não convenceu boa parte dos senadores foi Edson Fachin, indicado em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff. O placar foi de 52 a 27. 

Na sequência aparece o mais recente indicado do governo Lula, Cristiano Zanin, que, por sua vez, soma 58 a 18. Depois, Gilmar Mendes, indicado em 2022 por Fernando Henrique Cardoso, obteve 57 votos favoráveis e 15 contrários. Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer, contabilizou 55 a 13. Ele é seguido de Kassio Nunes (57 a 10), Dias Toffoli (58 a 9), Roberto Barroso (59 A 6), Luiz Fux (68 a 2) e, por fim, Cármen Lúcia (55 a 1).

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