Terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Caiado precisava ir, mas fez bem ao desistir de posse de Milei

Lula, rival ideológico de Javier Milei, não vai à posse, mostrando o racha entre os países que viveram lua de-mel por menos de um ano

Postado em: 09-12-2023 às 08h30
Por: Yago Sales
Imagem Ilustrando a Notícia: Caiado precisava ir, mas fez bem ao desistir de posse de Milei
O candidato de ultradireita Javier Milei foi eleito com 55,75% dos votos, contra 44,24% do candidato governista e atual ministro da Economia, Sergio Massa | Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles

O governador Ronaldo Caiado (União Brasil), mais atarefado do que nunca, com agenda apertada seja no gabinete no Palácio das Esmeraldas, em eventos pelo Estado ou encontros pelo Brasil, desistiu de viajar a Buenos Aires, onde vai ser empossado o presidente eleito da Argentina ultraliberal Javier Milei. 

A conversa da ida do governador goiano surgiu com convite do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que prometeu, à militância, levar a melhor comitiva brasileira à posse – claro, homens e mulheres da direita tupiniquim. 

A poucas horas do embarque de diversas lideranças – e com fotos de Bolsonaro posando ao lado de Javier Milei, incluindo o deputado federal goiano Márcio Correa todo sorridente -, surgiu a notícia de que o mandatário goiano havia cancelado sua viagem, sob o argumento de que não teria muito tempo por conta do final do ano. 

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Caiado sabe das coisas. E sabia que, estar na Argentina, seria um grande recado para aqueles que, por ora, estão órfãos por causa da inelegibilidade de Bolsonaro até 2030 para uma eventual volta para eleição de representante da direita. E Caiado quer este espaço, claro, com apoio do capitão. 

Há quem diga que o lugar de Caiado, enquanto eventual nome do União Brasil – e do Partido Liberal do Valdemar Costa Neto e do Jair Bolsonaro – era na Argentina neste domingo. Afinal – enquanto este texto estava sendo escrito não havia tanta confirmação – havia a expectativa da presença do governador de São Paulo, Tarcisio Freitas (Republicanos), o de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). 

Inclusive, o governador desconversou, em coletiva de imprensa durante café da manhã com a imprensa no Palácio na última terça-feira (5). Confirmou que, em sua ida a Buenos Aires em 22 de setembro, foi convidado pelo presidente eleito a comparecer à posse. Na ocasião, Caiado, que já conhecia Mauricio Macri – ex-presidente de direita da Argentina -, foi ao país vizinho discutir segurança pública, sobretudo combate ao narcotráfico que causa problemas em todo o mundo. 

Sobre a viagem à posse, que ocorre neste domingo (10), Caiado afirmou, apenas, que deveria repensar por conta dos gastos que teria. Mas, conversaria com o governador de São Paulo, Tarcisio, acerca da possibilidade de conseguir uma carona. Pelo visto não deu certo. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que foi contundentemente atacado pelo presidente eleito, em contraposição à defesa do presidente do atual governo de Alberto Fernández, o ministro da Economia derrotado, Sergio Massa não vai comparecer à posse. Vai, então, enviar um representante do governo brasileiro. 

O candidato de ultradireita Javier Milei foi eleito com 55,75% dos votos, contra 44,24% do candidato governista e atual ministro da Economia, Sergio Massa.

Economista, Milei se caracteriza por ser um candidato antissistema num país abalado por uma grave crise econômica, onde a inflação chegou a 142,7% nos 12 meses terminados em outubro. Ele promete dolarizar a economia e extinguir o Banco Central argentino para acabar com a inflação, mas amenizou outras promessas no segundo turno, prometendo não privatizar a saúde e as escolas públicas.

Alçado à fama como comentarista econômico em programas de televisão, Milei se diz amante de cães e, segundo a mídia argentina, tem vários clones de um cachorro que viveu de 2004 a 2017. Embora tenha se aliado a políticos da direita tradicional no segundo turno, como o ex-presidente Mauricio Macri e a candidata derrotada Patricia Bullrich, o candidato vencedor atraiu o voto sobretudo dos mais jovens ao se posicionar contra aos políticos tradicionais, que chama de “a casta”.

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