Terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Maduro adia visita a Putin em meio a pressão brasileira e americana

A viagem, no entanto, ainda está prevista para este mês

Postado em: 10-12-2023 às 16h38
Por: Vitória Bronzati
Imagem Ilustrando a Notícia: Maduro adia visita a Putin em meio a pressão brasileira e americana
A Rússia, aliada da Venezuela, não se pronunciou oficialmente sobre o adiamento da visita de Maduro | Foto: Reprodução

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, adiou sua visita ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que estava prevista para esta terça-feira (12). A decisão foi tomada após pressão do governo brasileiro e dos Estados Unidos, que consideram a viagem uma escalada da tensão na região.

Maduro e Putin estavam programados para se encontrar em Moscou para discutir a crise no território de Essequibo, disputado pela Venezuela e pela Guiana. O plebiscito realizado pela Venezuela em outubro, que declarou soberania sobre 70% do território, foi contestado pela Guiana e pelos Estados Unidos.

O adiamento da visita ocorreu antes da conversa de Maduro com o presidente Lula, no sábado (9). O Itamaraty fez chegar à diplomacia venezuelana o mal-estar que a revelação da viagem na véspera, feita pela Folha de São Paulo, causou no governo brasileiro.

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Para o Planalto, a ida a Putin escalaria a tensão na região, já que o russo é adversário dos Estados Unidos, que demonstraram apoio à Guiana fazendo um sobrevoo com aviões militares na quinta-feira, 7 de dezembro. Os americanos têm interesse no país caribenho, onde a ExxonMobil é a principal operadora de campos de petróleo no litoral da região disputada.

Com o adiamento da visita, Maduro tem a oportunidade de tentar acalmar os ânimos na região. Ele anunciou, também no sábado (9), que se reunirá com o presidente guianense, Irfaan Ali, na próxima quinta-feira (14).

A viagem irá acontecer, dado que a Venezuela é aliada da Rússia desde os anos de Hugo Chávez, mentor e antecessor de Maduro, no poder. Caracas fez diversos projetos conjuntos com a estatal russa Rosneft para exploração de petróleo e virou um grande cliente militar de Moscou, comprando de blindados a caças avançados.

Extraoficialmente, pessoas envolvidas com a viagem disseram que houve incompatibilidade de agendas dos dois líderes, mas não afirmam quais.

Nesta crise, contudo, os russos adotaram até aqui cautela. O Ministério das Relações Exteriores em Moscou pediu que tanto a Venezuela quanto a Guiana adotem a diplomacia e evitem “ações” sobre Essequibo. O recado público não deu apoio automático a Maduro, como seria esperado.

Diplomatas com experiência na região dizem, contudo, que é preciso esperar para entender a posição russa. Eles não descartam um certo teatro do ditador, com apoio de Moscou, para forçar a ideia de negociações sobre Essequibo.

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