Pesquisadores da Unesp produzem ‘plástico comestível’ a base de gelatina e pimenta

O bioplástico foi projetado para embalar carne bovina na forma de hambúrgueres, alimento suscetível à contaminação microbiana.

Postado em: 06-02-2022 às 17h50
Por: Ícaro Gonçalves
O bioplástico foi projetado para embalar carne bovina na forma de hambúrgueres, alimento suscetível à contaminação microbiana | Foto: Reprodução

A partir de um estudo realizado no Departamento de Física e Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pesquisadores foram capazes de criar um novo tipo de plástico comestível, biodegradável e até antimicrobiano. O material foi produzidos a partir de materiais simples, como gelatina incolor e óleo essencial de pimenta-preta. O trabalho divulgado recentemente teve apoio da FAPESP, com resultados publicados na revista Polymers.

Para fabricar seu “bioplástico” – ou “plástico verde”, como também é chamado –, o grupo utilizou como matéria-prima principal a gelatina incolor de tipo B, extraída do tutano de boi e facilmente encontrada em supermercados e outros estabelecimentos comerciais.

“A gelatina foi um dos primeiros materiais usados na produção de biopolímeros e continua sendo muito empregada devido à sua abundância, baixo custo e excelentes propriedades para a formação de filmes”, diz a química Márcia Regina de Moura Aouada, professora da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (Feis-Unesp) e coordenadora do estudo.

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“No entanto, embalagens à base de biopolímeros exibem, de modo geral, características que precisam ser melhoradas para se tornarem equiparáveis às obtidas a partir do petróleo. Isso se refere especialmente às propriedades mecânicas e de barreira a vapores. Por esse motivo, adicionamos à gelatina a argila cloisita Na+”, conta a pesquisadora.

Com a adição da argila, foi obtido um filme mais homogêneo, capaz de suportar maior peso e maior tração. Nos plásticos convencionais, à base de polietileno, a resistência à tração costuma ser de menos da metade daquela alcançada com o bioplástico.

“Além da argila, acrescentamos também à mistura uma nanoemulsão de óleo essencial de pimenta-preta. O objetivo, no caso, foi conseguir uma embalagem comestível mais atraente em termos de sabor e odor. E que, além disso, pudesse estender a vida útil do alimento embalado por meio da adição de componentes antimicrobianos e antioxidantes à matriz polimérica”, afirma.

O bioplástico foi projetado para embalar carne bovina na forma de hambúrgueres – um alimento bastante suscetível à contaminação microbiana e que apresenta odor muito pronunciado. Mas o princípio geral de adicionar argila e nanoemulsões de óleos essenciais à matriz de gelatina pode e deverá ser estendido a outros tipos de alimentos – variando-se, caso a caso, o tipo de óleo essencial e a proporção empregada.

Com informações da Agência Fapesp

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