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Cultura
MÚSICA
18/03/2017 | 06h00
Nana Matheus quer lançar álbum em homenagem ao pai
A cantora herdou talento do pai, Helio Matheus, um dos maiores intérpretes da MPB

Renato Estevão

Assim como Maria Rita despontou após anos a veia artística de Elis Regina (1945-1982), a cantora Nana Matheus, 26, segue os mesmos passos da filha da 'Pimentinha'. Nana é paulista, mora na Zona Norte de São Paulo, e é filha de um dos maiores e mais expressivos músicos da década de 1970, o saudoso cantor, compositor e violinista Helio Matheus (1941-2017). Ela pretende lançar o seu primeiro álbum de estúdio em homenagem ao pai.

Irmã mais velha das duas filhas da dona Tânia, a cantora tem Heliana como nome de batismo, mas ninguém costuma em chamá-la assim, a não ser que sua mãe perca a paciência com ela. Ao chamar de Nana, todos a reconhecem, principalmente quando integrou uma banda ao fazer a cover de Amy Winehouse e ao participar de um concurso musical da MTV em 2012. O seu notório desempenho fez alcançar o segundo lugar da competição.

Assim como a extinta dupla Sandy & Júnior, que foi descoberta durante apresentações incentivadas por Xororó, seu pai também esteve presente quando ela se apresentava ainda garota. Apesar de muito pequena, aos 8 anos de idade ela já mostrava a que veio. Ao lado do paizão e de outros artistas consagrados da MPB, como Wanderléa, Jane Duboc e Vanusa, ela participou de uma campanha beneficente para ajudar pessoas com câncer.

Ao tocar violão, a artista revela uma voz suave, misturada aos acordes daquele instrumento. A cantora mostra suas próprias composições e sua capacidade vocal em vídeos divulgados nas redes sociais, espaço em que ela demostra o talento herdado pelo pai.

Em entrevista ao Essência, Nana falou sobre os seus planos com a música, sobre os trabalhos do pai que ela mais gosta, e se emocionou ao relembrar os momentos em que viveu com ele. 

Entrevista: NANA MATHEUS 

Para começar o nosso bate-papo, quero que me explique como você ficou próxima da música. Você acredita que tenha sido em casa que ela (a música) passou a ser determinante para a escolha da sua carreira, seguindo os mesmos passos de seu pai, o músico Hélio Ma­theus?

Bom, a música sempre mexeu comigo de uma forma muito forte. Minhas primeiras memórias envolvem música. Ela sempre me emocionou. É uma ligação surreal. Quando eu executo a música, me sinto inabalável. Sem dores, sem pensamentos. Você citou o nome do meu pai, e algo curioso me remeteu agora: eu olhava para ele e pensava ‘eu quero ser que nem ele’. Acho que a música já me encantava na barriga da minha mãe (risos). É como se fosse uma ligação direta com o Cosmos, sabe?

Assim como vários projetos do seu pai, muitas músicas que você apresenta em vídeos e shows são 100% autorais. Como você busca inspirações para compô-las? É um trabalho que mistura inspiração e transpiração?

Claro que sim, totalmente. Eu sou auto didata, sabe? Eu aprendi a tocar violão, sozinha, e nunca fiz aula de canto. Em minhas composições, às vezes uso de metáforas, mas minhas músicas são todas baseadas em experiências.

Como e quando surgiu a ideia de planejar o álbum de estreia?

Eu sempre tive esse sonho. A ideia surgiu quando eu percebi duas coisas. Primeiro, que eu já tenho as músicas próprias e, segundo porque tenho as músicas do meu pai, lindas e prontas para serem regravadas. Eu estou planejando regravá-las para homenageá-lo.

Como é um trabalho de estreia: você já escolheu o repertório ou caminha para isso. O que o seu público, que te acompanha nas redes sociais, pode esperar deste projeto?

Olha, eu estou caminhando para isso. O projeto vai ter músicas dançantes, vai ter cantigas, vai ter sambas, reggaes e pop. Esse álbum será um espelho. Inclusive eu acho que é um bom nome para um álbum. Atualmente, eu estou trabalhando em gravar vídeos para o meu canal no Youtube, mas infelizmente não tenho recursos para fazer uma coisa mais profissional.

Então existe um fator determinante para o lançamento do seu álbum, como por exemplo, patrocínios ou apoio de gravadora?

Verdade. Infelizmente eu não tenho ainda. (revela). Mas por enquanto (desafia). É por isso que não executei nada até então. Inclusive eu estou à disposição para ser apadrinhada (risos).

O seu pai é um dos maiores artistas que ficarão eternizados pelos seus trabalhos, tanto como compositor quanto como intérprete da música popular. Qual é o trabalho dele que você mais gostou? Por quê?

Os álbuns Matheus segundo Matheus e Renascendo. Eu não sei te dizer qual dos dois eu mais gosto, mas estes dois são os meus favoritos. Mas as músicas dele que são minhas prediletas são Marraio, de Matheus Segundo Matheus e No Coração do Brasil, do álbum Renascendo. Esta última é um blues maravilhoso! (brinca).

Helio Matheus fez sucesso na carreira, e duas de suas canções entraram em novelas da Rede Globo. 'Boi da Cara Branca'  foi tema de O Astro e 'O Poeta e a Lua' em À Sombra dos Laranjais. Com esse futuro trabalho que planeja, você pensa em divulgá-lo para a emissora e – assim quem sabe – ganhar espaço nas produções da teledramaturgia da casa? Já pensou nisso e/ou já apresentou como a filha deste grande cantor?

Eu nunca parei para pensar nisso. Não, nunca me apresente para eles. Espero que algum dia, em algum momento, algum produtor conheça meu trabalho e, assim, quem sabe, as pessoas possam a conhecer um pouquinho também do meu talento.

Ainda criança, você participou de uma cerimônia que reuniu ilustres artistas em um projeto beneficente, e o seu pai estava do seu lado. Apesar de pequena, o que vem à sua memória neste dia? Alguma lembrança, em especial, algo que nos pode revelar, de bastidor, por exemplo?

Só lembro do meu nervosismo (risos). Meu Deus, a Wanderléa está do meu lado! Não estou acreditando que eu vou cantar entre a Jane Duboc, a Vanusa e a Elba Ramalho! Apesar de ser menina naquele momento, eu sabia que aquelas pessoas já eram artistas consagradas. Eu entrei em choque (brinca). Mas eu me lembro que deu tudo certo. Meu pai gostou (relembra).

Atualmente, você estuda em uma universidade de São Paulo. Como é lidar o trabalho de cantora com o curso?

A música é, sem dúvida, o meu maior sonho, mas no momento eu faço faculdade de Letras. E estou adorando! Bom, como infelizmente, por hora, não estou fazendo apresentações, eu estou me dedicando 100% aos estudos. Eu gosto muito de arte. A escrita também é uma arte, sabe? Ler é arte, ensinar também é outra arte. Quando eu estiver pronta para lecionar, quero usar a música como forma de aprendizado.

Seu pai foi vítima de uma pneumonia e três AVCs. Como foi lidar com a perda dele?

Mais difícil do que eu imaginei que fosse, Renato. Muito mais difícil ainda falar do que é isso. É uma sensação difícil de ser contada. Ontem, mesmo, eu fui tocar 'Boi da Cara Branca', no violão, e não consegui segurar as lágrimas. (chora). Sabe, eu fico pensando como seria se ele estivesse aqui. (lamenta)

Ao se lembrar do seu pai, o que vem à memória?

Do abraço leve dele. Dos prelúdios que ele tocava até eu cair em sono (emociona). E também de nós cantando, juntos, 'Yesterday', dos The Beatles.(chora).

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