segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Saúde

“Pílula do câncer” é sancionada e gera polêmica

Substância gera impasse entre prós e contra sua liberação

Sheyla Sousapor Sheyla Sousa em
“Pílula do câncer” é sancionada e gera polêmica
Substância gera impasse entre prós e contra sua liberação

Jéssica Torres

O uso da fosfoetanolamina sintética por pacientes diagnosticados com câncer foi liberado ontem, pela presidente Dilma Rousseff. A permissão foi definida como de relevância pública.  A decisão gerou grande comoção. De um lado grupos de pacientes com câncer veem como uma vitória e organizaram ontem em Goiânia passeata em comemoração, já entre especialistas e órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a medida provocou preocupação.

O texto da lei, publicado no Diário Oficial da União, ressalta, entretanto, que a opção pelo uso voluntário da fosfoetanolamina sintética não exclui o direito de acesso a outros tratamentos contra o câncer. Sendo assim, a ingestão da substância, conhecida popularmente como “pílula do câncer”, poderá ser feita por livre escolha do paciente, que precisa ter um laudo médico que comprove o diagnóstico e assinar um termo de consentimento e responsabilidade.

O presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), Aldair Novato Silva, garante que a classe é contra a decisão, já que não há liberação pela Anvisa. “A liberação veio na contramão do que sempre acontece. A substância não tem comprovação científica e não é mais eficaz do que outras que já existem. Não conhecemos as indicações, implicações do seu uso”, aponta. Em vista disso, ele alerta para o perigo dos efeitos colaterais. Por isso, explica que pelo código de ética os médicos não podem prescrever uma substância que não passou por testes e avaliação da Anvisa, para comprovar sua real eficácia e verificar seus riscos, sendo apenas possível via ordem judicial.

Esperança

Reginaldo Barbosa,42 líder do movimento em Goiânia, em prol da chamada fosfo, comemora a liberação. Sua esposa Luciany Barbosa, 42, descobriu em abril de 2014 que estava com câncer cerebral e a partir daí buscou todos os tipos de tratamento possíveis, pela medicina tradicional, porém nada adiantou e o tumor maligno em grau 4 está avançando. Em vista disso, entraram na Justiça Federal pedindo para que Luciany pudesse usar a fosfoetanolamina. Após a decisão favorável do juiz, Universidade de São Paulo (USP) e outros órgãos recorreram. Até agora ela não havia conseguido e ontem voltaram a ter esperança.

Mais três amigos passam pelo mesmo desespero. “A indústria farmacêutica não quer pela questão financeira. Como suplemento também teria o mesmo risco, não faz sentido”, destacam. Eles exemplificam o caso de uma criança que depois do uso da pílula voltou a andar, ver e escutar, o que não podia antes pela doença.

Já a avó do estudante Vinicius Marques, 22, dona Zila Marques, 65, descobriu que estava com câncer de mama, no ano passado, ainda em estágio inicial. Logo começou a se tratar e apesar de tomar medicamentos o que ajudaram em seu tratamento. Porém, o neto explica que não sabiam na época do uso da fosfo. Se fosse necessário também usariam. “Claro que devem fazer os testes científicos para verificar a eficácia, mas descobrir a doença é um momento de angústia. A pílula traz uma esperança para as pessoas”, acentua. 

Testes verificam eficácia da “fosfo” 

Diante da expectativa gerada em torno de seu efeito, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação criou, no ano passado, um grupo de trabalho para testes. No último dia 30 de março, o ministério divulgou os primeiros resultados, informando que o composto produzido pela USP não é tóxico, se administrado na quantidade estabelecida de três cápsulas de 330 miligramas cada, por dia. Por isso, sugeriu que a pílula fosse legalizada como suplemento alimentar para evitar também o contrabando e a venda no mercado paralelo.

O Ministério da Saúde informou que participa da elaboração de uma regulamentação para o uso, a pesquisa e o fornecimento da fosfoetanolamina sintética. Por meio de nota, esclareceu que, com a autorização de uso, os pacientes interessados terão de arcar com todos os custos, já que a substância não foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Chikungunya avança mais de 400% em Goiás e acende alerta contra o Aedes aegypti

Atenção na saúde

Chikungunya avança mais de 400% em Goiás e acende alerta contra o Aedes aegypti

Enquanto os casos de dengue apresentam redução em relação a 2025 e a zika segue com baixa circul...
Governo de Goiás convoca 225 professores aprovados em concurso de 2022

Concurso Público

Governo de Goiás convoca 225 professores aprovados em concurso de 2022

Profissionais serão nomeados ainda em agosto e começam a atuar na rede estadual de ensino em setem...
Incêndio

FOGO NA SERRA

Incêndio já destruiu mais de 600 hectares em Goiás

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Semad reforçaram o combate às chamas neste domingo diante do ri...
Avião

susto

Avião faz pouso forçado em rodovia de Goiás e assusta motoristas

Aeronave precisou interromper o voo durante o trajeto pelo interior de Goiás e acabou sendo retirad...
mulher

RELATO

“Eu amei muito ele”, diz mulher resgatada após passar cinco dias em cativeiro em Goiás

Emiliane Tamara Nunes, de 24 anos, afirmou que havia terminado o relacionamento com o ex-companheiro...
Azul

JUSTIÇA

Adolescente ganha R$ 10 mil após mudança de voo da Azul em Goiânia

Companhia antecipou trecho em oito horas, aumentou o tempo de conexão e fez estudante perder compro...
Incêndios mobilizam equipes no nordeste de Goiás neste fim de semana

COMBATE A INCÊNDIOS

Incêndios mobilizam equipes no nordeste de Goiás neste fim de semana

Combate às chamas reúne bombeiros, brigadistas e equipes ambientais em Colinas do Sul e na GO-239 ...
Rotatória

TRÂNSITO

Rotatória em frente ao Hugol em Goiânia será retirada; veja o que muda

Obra na Região Noroeste de Goiânia deve durar até 45 dias e prevê novos acessos, semáforos e si...