terça-feira, 20 de outubro de 2026
Cultura

Série que aborda o feminismo na arte discute o uso político do corpo

Estigmatizado na cultura visual ocidental, o corpo feminino passou a ser reivindicado como arma, a partir dos anos 70, quando o movimento feminista transbordou para o mundo da arte.

Sheyla Sousapor em
Série que aborda o feminismo na arte discute o uso político do corpo
Estigmatizado na cultura visual ocidental

Série que aborda o feminismo na arte discute o uso político do corpo

O empoderamento do corpo feminino na arte e no mundo contemporâneos foi o tema do terceiro encontro da série Diálogos Sobre O Feminino, realizado na última semana no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro. A série de encontros mensais, gratuitos e abertos ao público, vem debatendo, desde maio, o feminismo e as questões de gênero na arte, em eventos que sempre contam com performances e mesas-redondas, com a participação de artistas visuais, pesquisadoras e pensadoras de várias áreas do conhecimento. A última edição de Diálogos Sobre O Feminino será em 24 de agosto. Depois, o evento seguirá para Brasília (DF), com apresentações de 25 a 28 de agosto no CCBB local.

Estigmatizado na cultura visual ocidental, o corpo feminino passou a ser reivindicado como arma, a partir dos anos 70, quando o movimento feminista transbordou para o mundo da arte. As mulheres começaram a usar seus próprios corpos em performances, filmes, vídeos e fotografias, em lugar de serem apenas tomadas como modelos ou suportes em obras de artistas homens.

“Ao exporem os próprios corpos em suas obras, as artistas colocavam ênfase extrema nessa exposição da intimidade na esfera pública e, assim, marcavam os aspectos políticos do corpo”, comenta a pesquisadora em artes visuais e também artista plástica Roberta Barros, uma das organizadoras da série Diálogos Sobre O Feminino. “Artistas como Ana Mendieta, Hannah Wilke, Carolee Schneemann usaram a estratégia da autoexibição da nudez como forma de evidenciar o modo como a sociedade patriarcal no ocidente constrói o papel da mulher como objeto para um olhar masculino”, exemplifica.

Nessa época, lembra Roberta, o cenário brasileiro era de ditadura militar, o que fez com que as artistas plásticas brasileiras, ainda que conectadas ao movimento feminista internacional, se concentrassem em metas como a defesa dos direitos humanos e a liberdade política. “Por muito tempo, abriu-se mão do debate sobre temas feministas centrais, como a liberdade sexual e o direito ao aborto e ao divórcio”, ressalta a pesquisadora.

Já a partir da virada para os anos 2000, a estratégia passou a ser experimentada cada vez mais por artistas brasileiras, em crítica aos padrões de beleza, à estratégia de erotização e sensualidade e em sintonia com as pautas feministas atuais. “Entre essas artistas podemos citar algumas, como Anna Behatriz Azevedo, Luana Aguiar, Luiza Prado, Marcela Tiboni, Sara Panamby e eu mesma, Roberta Barros, com minha performance Dar de Si”, finaliza a também artista visual. (Paulo Virgílio/Agência Brasil)

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