terça-feira, 30 de junho de 2026
Manifesto Library

Livro de Conceição Evaristo inaugura biblioteca de Dua Lipa

“Olhos d’Água” foi selecionado como a primeira obra da Manifesto Library, espaço dedicado a livros banidos e censurados aberto pela cantora na Livraria Lello

Luana Avelarpor Luana Avelar em 30 de junho de 2026
Conceição Evaristo

No último sábado (27), Dua Lipa inaugurou a Manifesto Library na Livraria Lello, no Porto, e escolheu “Olhos d’Água”, de Conceição Evaristo, como o primeiro título a ocupar as prateleiras do novo espaço. A coletânea de contos, publicada em 2014, abre a primeira extensão física do Service95 Book Club, clube do livro digital comandado pela cantora britânica. O acervo reúne cerca de 100 títulos dedicados a obras banidas, censuradas e proibidas ao redor do mundo, distribuídos em quatro eixos temáticos: Poder, Controle, Voz e Memória.

A escolha pegou Conceição de surpresa. A escritora relatou o episódio nas redes sociais. “Junto à recepção calorosa que recebi na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, tive a grata surpresa de saber que o livro ‘Olhos D’água’, de minha autoria, foi escolhido como a primeira obra para ocupar as prateleiras da Manifesto Library”, escreveu.

Ao lado da obra brasileira, a biblioteca reúne “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, e “Felon”, de Reginald Dwayne Betts. Para Dua Lipa, o projeto nasce como uma defesa direta da liberdade de leitura. “É um santuário para livros que desapareceram, para autores cuja coragem desmascara estruturas de poder e controle, e para leitores que se recusam a aceitar que lhes digam qual livro podem ler”, declarou a cantora

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A obra

Olhos d’água (2014), da escritora Conceição Evaristo, é uma coletânea de 15 contos que expõe a dura realidade, a violência urbana, o racismo e a marginalização da população negra no Brasil. A obra destaca a ancestralidade e a resistência, dando voz a personagens silenciados das periferias por meio do conceito de “escrevivência”. 

A autora

Nascida em Belo Horizonte, Conceição Evaristo é mestra em literatura brasileira pela PUC-Rio e assumiu, em 2024, a cadeira 40 da Academia Mineira de Letras. A escritora também criou o conceito de escrevivência, termo que aproxima experiência pessoal, memória ancestral e criação literária.

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