domingo, 16 de agosto de 2026
CIDADES

Projeto leva celulares para sala de aula

Aparelhos são usados de forma pedagógica por professores da rede municipal de ensino

Sheyla Sousapor Sheyla Sousa em
Projeto leva celulares para sala de aula
Aparelhos são usados de forma pedagógica por professores da rede municipal de ensino

Isabela Martins*

O Projeto Inovação Tecnológica visa levar para dentro das salas de aula o aparelho celular. A ação faz parte da formação Escolas Conectadas, que professores participaram no ano passado, uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME) e a Fundação Telefônica Vivo. Para a coordenadora pedagógica da Escola Municipal Pedro Gomes de Menezes na Vila Regina em Goiânia, Luciana Rolim, o curso motivou uma ideia antiga que já existia em não proibir o uso do celular e desenvolver trabalhos com a orientação dos professores como uma ferramenta pedagógica. 

De acordo com a SME foram mais de 300 instituições municipais que incluem escolas, Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) e Centros de Educação Integrada (CEI), que tiveram professores e coordenadoras participando dos cursos. Serão cerca de 10 mil alunos contemplados com a nova forma pedagógica. Entre os cursos oferecidos estavam os de Produção Colaborativa do Conhecimento, Escola para todos: pessoas com deficiência e fotografia na aprendizagem. 

O objetivo da escola Pedro Gomes é implantar a inovação relacionada ao uso da tecnologia, em específico o uso do celular, inserindo como material pedagógico. “No curso, não só aprendemos como houve grande troca de experiências. Não é só em questão da tecnologia, mas também estarmos inovando sempre”, destacou. 

Implantação

Segundo Luciana, a implantação do projeto foi aceita pela maior parte da instituição. “Projeto em mãos, com o incentivo do curso, uma internet ótima, que as escolas agora têm com a verba educação conectada, fizemos a formação com os professores, com os alunos e organizamos uma reunião com os pais. 

O projeto teve uma aceitação de 99,9%”. Ela ainda destaca que o momento de implantação do projeto na unidade gerou reações de rejeição. “No primeiro momento ouvimos algumas críticas negativas. Mas não desistimos. Acredito que para inovar alguma coisa é preciso inovar-se. Se não fizermos um esforço pessoal para inovar a nós mesmos, não teremos condições de inovar a educação”. 

Para o gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo, a ação da escola gera um resultado positivo na formação oferecida a professores de Goiânia. “O mais importante não é a formação que trazemos aos professores, mas sim o que acontece depois dela lá na escola. 

É como o professor revê a sua prática, inclusive de considerar que a tecnologia não é tão má assim, ou que ela pode ser utilizada também para que os alunos aprendam”. Ele ainda destacou a importância da atividade para os alunos. “Para nós, o importante é a prática que reflete no aprendizado do aluno, na consciência do uso da própria tecnologia. 

Então, nós, como escola, temos o papel de mostrar aos nossos alunos os benefícios que a vida moderna nos traz. Acho muito importante e fico muito animado quando vejo projetos como este em prática”, concluiu.

A coordenadora contou que a reação dos alunos foi a de pensar que o celular seria liberado na escola. “Houve a pergunta,‘o celular vai ser liberado?’ Sim! Mas, o uso com responsabilidade. Como se usa o caderno, o livro, a caneta. Ele vai ser utilizado como ferramenta pedagógica”. 

Ela ainda destacou o que os estudantes acharam da iniciativa. “Para eles foi surpreendente e natural. Surpreendente, pois o que era proibido agora vai fazer parte do material pedagógico deles. Natural, porque essa é a linguagem deles. Muitas vezes, nós que precisamos recorrer a eles. E nesse momento eles são ótimos professores”. 

Na unidade são utilizados aparelhos de professores e alunos. Como nem todos possuem celulares, a escola busca trabalhar com as turmas em grupos. O próximo passo será o de correr atrás de parcerias para conseguir tablets ou parceria com projetos de robótica. 

Escola Conectada

O projeto Escolas Conectadas é uma iniciativa da Fundação Telefônica Vivo que oferece cursos online de formação continuada e gratuitos, para professores da educação básica. Promove a inclusão dos educadores na cultura digital e estimula o desenvolvimento de competências do século XXI nos alunos, através da prática de metodologias inovadoras de ensino. Os cursos têm foco na prática e na troca de experiência entre educadores. 

(Isabela Martins é estagiária do Jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian)

 

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