terça-feira, 21 de abril de 2026
Proibição

Pesquisa sobre contaminação de mercúrio entre yanomamis é vetada pela Funai

Cerca de 20 mil garimpeiros ilegais trabalham na região.

Alice Orthpor Alice Orth em 23 de novembro de 2021
Cerca de 20 mil garimpeiros ilegais trabalham na região. | Foto: Reprodução
Cerca de 20 mil garimpeiros ilegais trabalham na região. | Foto: Reprodução

A Fundação Nacional do Índio (Funai) proibiu pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de realizar um estudo sobre o impacto da mineração ilegal dentro de terra indígena yanomami. A análise sobre contaminação de mercúrio estava sendo feita por meio da coleta de amostras de cabelo dos indígenas e de peixes na região do rio Mucajaí, em Roraima.

“De março do ano para cá, tem mais de um ano e meio. Nesse meio do caminho, a Funai, além de não impedir garimpeiros, madeireiros e todos os outros tipos de invasões no território, não tomou nenhuma providência. Em paralelo, as coberturas vacinais foram crescendo dentro da terra indígena, e todos os nossos pesquisadores já receberam ao menos duas doses”, contou o médico e coordenador do projeto Paulo Cesar Basta ao jornal Folha de S. Paulo.

Segundo a Funai, o veto seria em cumprimento da portaria 419, de 17 de março de 2020, que suspende novas autorizações de entrada nas terras indígenas, apesar de especificar “a exceção das necessárias à continuidade da prestação de serviços essenciais às comunidades”.

Com casos de desnutrição infantil e malária, além da presença ilegal de cerca de 20 mil garimpeiros, a população yanomami sofre uma crise de saúde. “São muitos os garimpeiros que trabalham em nosso rio Mucajaí e afluentes, causando desastre ambiental e social. Nós achamos que o nosso povo está sendo envenenado com o mercúrio utilizado pelos garimpeiros”, disse a associação Texoli, em carta encaminhada para a Fiocruz em outubro.

Em outra pesquisa realizada na região do Médio Tapajós, foi descoberto que os níveis de mercúrio em 60% dos indígenas estava acima do limite máximo de segurança, e que 16% das crianças mundurukus apresentavam problemas de neurodesenvolvimento.

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