segunda-feira, 27 de abril de 2026
Investigação

Gerente da Sedhs não comparece à CEI da Comurg e gestor de engenharia da companhia se recusa a responder

Membros da CEI aprovaram novos requerimentos para investigar supostas irregularidades da companhia de limpeza de Goiânia

Rodrigo Melopor Rodrigo Melo em 31 de março de 2023
Membros da CEI aprovaram novos requerimentos para investigar supostas irregularidades da companhia de limpeza de Goiânia | Foto: Câmara dos Vereadores
Membros da CEI aprovaram novos requerimentos para investigar supostas irregularidades da companhia de limpeza de Goiânia | Foto: Câmara dos Vereadores

A sessão da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga supostas irregularidades na Comurg, desta quinta-feira (30/3), foi pouco produtiva por parte dos depoimentos. O gerente da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs), Eduardo Gonçalves de Carvalho não compareceu para depor. No mesmo dia, o gerente técnico de engenharia da empresa, Nilton César Pinto, se recusou a responder as perguntas feitas a ele durante reunião extraordinária realizada na Câmara Municipal de Goiânia.

A justificativa da ausência do gerente da Sedhs que faz parte da Gestão e Desenvolvimento de Pessoas estaria relacionada a sua ocupação de advogado. À comissão, ele apresentou documento comprovando necessidade de sua presença, no mesmo horário da reunião, em audiência judicial agendada desde setembro do ano passado. Eduardo será novamente convocado, possivelmente para a próxima segunda-feira (3).

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Já o gerente da Comurg, sob orientação do advogado dele, invocou o direito ao silêncio. Danilo Vasconcelos, que fez a defesa do gerente, alertou os vereadores que a Lei de Abuso de Autoridade (Lei Federal nº 13.869/2019), no parágrafo único, inciso I, do artigo 15, veda o agente ou autoridade de prosseguir com interrogatório que tenha decidido a ficar em silêncio. 

O relator da CEI, Thialu Guiotti (Avante), reagiu. “É um direito do cliente do senhor de ficar calado, mas o senhor não pode impedir que os vereadores da Comissão Especial de Inquérito desta Casa, munidos do poder que os foram conferidos, de fazer perguntas. O senhor não vai calar esta CEI.” 

Em seguida, o vice-presidente da CEI, Welton Lemos (Podemos), prosseguiu fazendo perguntas, mas sem resposta. Nelas, o vereador questionou o fato de obras terem sido contratadas e indicadas como concluídas sem estarem de fato prontas. “Quantas vezes o senhor já atestou notas ou serviços sem que eles tenham sido prestados?” 

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Novas convocações

Na quarta-feira (29), os membros da CEI aprovaram novos requerimentos para mais depoimentos. Os vereadores encaminharão convite à ex-secretária de Relações Institucionais da Prefeitura de Goiânia – e atualmente vereadora por Aparecida de Goiânia –, Valéria Pettersen, com objetivo de obter esclarecimentos acerca de pagamentos antecipados à Comurg, mesmo sem execução dos serviços.

Também será convocado o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), Rubens José Fileti, que deverá explicar – entre outras coisas – detalhes sobre aditivo de R$ 11,3 milhões a contrato entre uma empresa da qual é proprietário e a Comurg.

Além dos dois, outras sete pessoas serão intimadas: o secretário municipal de Finanças, Vinicius Henrique Pires Alves; o controlador-geral do Município, Gustavo Cruvinel, que foi diretor financeiro da Secretaria de Assuntos Institucionais durante a gestão de Valéria Pettersen; e, diretamente ligados à Companhia de Urbanização, a presidente da Comissão Permanente de Licitação, Hendy Adriana Barbosa; Janaína Cavalcante Coltrin, lotada na Diretoria de Transporte; o chefe de Assessoria Jurídica, Márcio Antunes Porfírio; e o diretor de Logística, Ronaldo Macedo.

Pedidos de destaque

Os vereadores Henrique Alves (MDB) e Pedro Azulão Jr. (PSB) pediram destaque para o requerimento de convocação do presidente da Acieg, Rubens Fileti. Eles queriam analisar a proposta, de autoria de Ronilson Reis. Apesar das solicitações, os requerimentos foram aprovados por quatro votos a favor e três votos contra, resultando em empate, decidido pelo presidente da CEI.

Ao justificar a convocação, Ronilson explicou que a comissão vai investigar a DTEC Brasil, empresa terceirizada de Fileti, responsável pela atualização do Portal da Transparência da Comurg. A suspeita é de suposta omissão de informações referentes à folha de pagamento e a contratações de comissionados. Segundo denúncia recebida pela CEI, a DTEC deixou de atualizar dados desde outubro de 2022, o que teria ocorrido a pedido do presidente da companhia, Alisson Borges.

De acordo com o presidente da comissão, denúncias apontam que a DTEC Brasil teria vencido todas as licitações referentes ao sistema de folha de pagamento, implementação de software e parametrização de informações, desqualificando outros concorrentes, para fechar com a Comurg. Renovações de contrato também estão sob suspeita, pois pessoas que prestavam consultoria não permaneceriam na companhia, apesar de o contrato ser renovado para serviço não prestado. Segundo Ronilson, contratos da empresa terceirizada com a Comurg ultrapassam R$ 20 milhões.

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