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Capivara Filó: entenda os riscos de adotar um animal silvestre

O porque de animais tão dóceis não poderem ser pets.

Ana Beatriz Santiagopor Ana Beatriz Santiago em
Brazil wildlife. Capybara, Hydrochoerus hydrochaeris, Biggest mouse near the water with evening light during sunset, Pantanal, Brazil. Wildlife scene from nature. Orange evening with cute mammal.
Brazil wildlife. Capybara, Hydrochoerus hydrochaeris, Biggest mouse near the water with evening light during sunset, Pantanal, Brazil. Wildlife scene from nature. Orange evening with cute mammal.

O caso do influencer Agenor Tupinambá e da capivara Filó dividiu a internet durante a última semana, muitos usuários não entenderam o motivo da multa aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e acreditam ser má fé já que o animal parecia estar sendo bem cuidado pelo tiktoker amazonense em seus vídeos. Entenda agora um pouco sobre o perigo de adotar animais silvestres.

Capivaras são os maiores roedores do planeta e apesar de poderem chegar até 1,3 metros são herbívoras e dóceis, esse fato fez com se tornassem populares pela internet com vídeos e fotos de suas interações amigáveis com outros animais criando assim uma pequena comunidade de pessoas que sentem vontade de levá-las para casa o que além de ilegal é muito perigosos tanto para o animal quanto para o ser humano.

De acordo com o professor e biólogo Gustavo Fernandes Rodrigues, roedor é hospedeiro do carrapato estrela e pode transmitir a Febre Maculosa Brasileira (FMB) doença que causa dores, falta de apetite e manchas pelo corpo tem alta taxa de letalidade se não tratada corretamente por um profissional da saúde. O animal também pode transmitir raiva, leishmaniose, leptospirose, doenças bacterianas e fúngicas.

“Outro fator importante é que a capivara pertence a ordem dos Rodentia que engloba de modo geral todos os roedores, seus dentes são enormes e afiados podendo em uma ferida profunda transmitir bactérias também.” salienta Gustavo.

Ser tratado como pet também pode causar problemas ao animal que é sociável e anda naturalmente em bandos: “capivaras por viverem em bando, estabelecem relações entre si, de cuidado, de manutenção da espécie e sobrevivência. Separar um animal que vive em grupo de seu habitat, pode atrapalhar e muito sua readequação ao meio se for tardia, ou em casos onde a capivara nunca seria reintroduzida, faz com que ela fique totalmente dependente dos cuidados humanos”.

O recomendável é manter uma distancia segura dos animais mas se houver contato físico é recomendado higienizar a área e se certificar de que não há nenhum parasita, se for ferido de qualquer forma, ou alguma ferida entrar em contato com a capivara, procure ajuda médica para evitar transtornos futuros.

Apesar do risco Gustavo diz que é importante preservar as capivaras: “não podemos usar o fato de um animal ser perigoso como um motivo para desrespeita-los. Independente de doença, não devemos interferir nas vidas dos animais, as capivaras precisam ser preservadas”.

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