Operação contra Divino Lemes dificulta tentativa de retorno à prefeitura
Ex- prefeito do PSDB foi alvo de ação do Ministério Público que apura desvio de recursos públicos; Divino ironizou, dizendo que operação teve efeito “positivo” à campanha
Yago Sales
O clima eleitoral em Senador Canedo ganhou contornos inimagináveis para a candidatura do principal nome de oposição, o ex-prefeito Divino Lemes (PSDB) que foi alvo de uma operação do Ministério Público de Goiás (MP-GO) que investiga o desvio de recursos públicos.
A operação fez Divino Lemes lembrar-se de algo bem parecido na corrida eleitoral de 2018, quando outro tucano, o ex-governador Marconi Perillo – atual presidente nacional do PSDB -, prestes a ir às urnas em disputa pelo Senado Federal, foi preso no âmbito da Operação Cash Delivery. Perillo perdeu a eleição.
Em Senador Canedo, no entanto, durante a manhã desta quarta-feira (7), o Ministério Público visitou endereços ligados a uma empresa que prestou serviços à época que Divino Lemes era prefeito e, também, na residência do candidato.
A operação também conseguiu com que a justiça autorizasse bloqueio de R$ 23 milhões de suspeitos de fraudes em licitações. De acordo com o MP-GO, os membros da dita organização criminosa recomendaram que servidores públicos municipais fizessem fraudes nas licitações desde o início. Tudo para que empresas ligadas ao grupo fossem beneficiadas com certames.
“A empresa ‘vencedora’ do certame repassava a obra para o investigado que possuía grande influência na Administração Pública Municipal que executava o serviço em flagrante violação aos princípios da concorrência e da igualdade”, disse o Ministério Público por meio de comunicado enviado a jornalistas.
A “Operação Insider” está sob responsabilidade de promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Além de Goiás, atingiu também endereços no Tocantins, e contou com a ajuda da Polícia Militar de Goiás (PM-GO) e a participação de 27 promotoras e promotores de Justiça.
Os 29 mandados de busca e apreensão foram cumpridos durante a manhã em endereços, além de Senador Canedo, na capital, em Anápolis, Águas Lindas de Goiás e Palmas (TO).
Por meio de nota, a Prefeitura de Senador Canedo afirmou que lamenta “ver o nome do município envolvido em mais um escândalo da gestão anterior” e afirmou que, após entregar documentos, espera que se faça “justiça contra qualquer pessoa que faz o mal uso do dinheiro público”.
São apurados os crimes de organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, contratação indireta indevida, falsidades ideológicas e materiais, corrupções ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Outro lado
O ex-prefeito e candidato à prefeitura de Senador Canedo Divino Lemes, alvo da operação classificou-a, de forma irônica, como “positivo demais”.
Indagado pelo jornal O Hoje sobre o impacto da operação em sua tentativa de retorno à prefeitura, ele responde com outra pergunta: “o que é que muda? o que é que muda? eu não devo nada, o que é que mudar?”
Divino afirma que a operação trata-se de investigar contrato de uma empresa que tinha parceria com a sua gestão seis anos atrás. “É uma empresa com licitação em 300 municípios e prestou um serviço pequeno aqui”, disse.
Ainda sobre o impacto da operação em seu projeto eleitoral, ele ironiza: “Positivo. Mostra que os meus adversários não têm trabalho para apresentar. Estava todo mundo aqui na porta sonhando que eles iam meter o pé no meu pescoço, pôr no helicóptero e levar embora. Não teve nada disso, tá bom?” E repetiu: “Positivo demais para mim, né? Passaram ali por minha vida e qualquer hora eu estou pronto, tá bom?”. (Especial para O Hoje)
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