domingo, 16 de agosto de 2026
Proteção às mulheres

Lei Maria da Penha faz 18 anos e reacende debates sobre proteção de vítimas

Presidente do STF destacou importância da Lei Maria da Penha em sessão da Corte

Tathyane Melopor Tathyane Melo em
Lei Maria da Penha faz 18 anos e reacende debates sobre proteção de vítimas
Presidente do STF destacou importância da Lei Maria da Penha em sessão da Corte | Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Nesta quarta-feira (7), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, abriu a sessão da Corte destacando a relevância da Lei Maria da Penha, que completa 18 anos. Barroso enfatizou a importância da lei no combate à violência doméstica contra mulheres e definiu a violência doméstica e sexual como “chagas” que o Brasil precisa enfrentar.

“Homem que bate em mulher não é macho, é covarde. Homem que pratica violência sexual não é um vitorioso, é um fracassado que não foi capaz de conquistá-la. E bater em criança deseduca, ou, na verdade, educa para uma cultura de violência que nós igualmente precisamos enfrentar”, afirmou Barroso.

Barroso também aproveitou o momento para pedir desculpas, “em nome do Estado brasileiro”, a Maria da Penha, por não tê-la protegido do agressor que a deixou paraplégica. Antes de dar nome à lei que oferece maior proteção às mulheres vítimas de violência doméstica, Maria da Penha enfrentou duas tentativas de homicídio pelo então marido, sobreviver às agressões, mas com sequelas que a obrigam a usar cadeira de rodas.

Histórico de luta de Maria da Penha

Na busca por justiça, Maria da Penha levou seu caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que reconheceu a falha do Brasil em protegê-la e punir seu agressor. “Uma das orientações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos foi a revisão da legislação brasileira, feito com a Lei Maria da Penha”, relembrou o presidente do STF.

A Lei Maria da Penha determina diversas medidas para garantir a integridade física e psicológica de mulheres em situação de violência doméstica. Entre as medidas, a Justiça pode ordenar o afastamento do agressor do lar, a suspensão da posse de armas e a proibição de se aproximar da vítima, seus familiares e amigos.

Apesar da existência da lei, a violência doméstica e intrafamiliar ainda representa a maior parte das agressões contra mulheres. Dados do Atlas da Violência, divulgado em junho deste ano, revelam que as agressões em casa ou por parentes constituem 65,2% de todas as notificações de violência contra mulheres em 2022, totalizando 144.285 casos.

Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, 1.487 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, um aumento de 0,8% em relação a 2022. Destes casos, 64% das vítimas foram mortas em suas próprias casas. Além disso, o Brasil registrou um estupro a cada seis minutos no ano passado, com mais de 83,9 mil vítimas, um aumento de 6,5% em comparação com 2022. Desde 2011, houve um crescimento alarmante de 91,5% nos casos de estupro.

Investimentos e ações do Governo

O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que, em 2023, o Fundo Nacional de Segurança Pública destinou R$ 107 milhões para ações de combate à violência contra a mulher. Neste ano, foram repassados R$ 108 milhões. Desde o início do ano passado, o ministério intensificou a parceria com Estados e o Distrito Federal para ações de enfrentamento à violência contra a mulher.

Barroso reafirmou o compromisso do STF e do Poder Judiciário na vigilância contra a violência doméstica e sexual. “Fica o registro que nós, do STF e do Poder Judiciário, em geral, estamos vigilantes com relação à violência doméstica e à violência sexual contra mulheres, que são chagas brasileiras que precisamos superar”, completou Barroso, anunciando que o Supremo e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançarão, em breve, uma ampla campanha contra a violência doméstica.

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