A estratégia de Caiado ao ser o primeiro pré-candidato à presidência
Especialistas comentam o que muda com o lançamento do nome do governador de Goiás ao Planalto
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O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) caminha para ser o primeiro pré-candidato oficial às eleições de 2026. Em abril, o político goiano lança seu nome ao Palácio do Planalto em evento na Bahia. A atitude é arriscada, mas o gestor estadual busca alavancar o próprio nome, menos conhecido entre outros possíveis postulantes da direita, conforme avaliação de especialistas.
Doutor em Ciências da Comunicação e especialista em Políticas Públicas, o professor Luiz Signates corrobora esse entendimento. “A antecipação de candidatura é uma atitude sempre arriscada. Mas Caiado sabe das fragilidades de uma postulação desse nível nascida em um Estado eleitoralmente pouco relevante, como Goiás”, explica.
Ainda segundo ele, o governador quer, certamente, estabelecer uma situação de fato consumado, garantindo que sua candidatura seja obrigatoriamente cogitada, qualquer que seja a movimentação política que venha em seguida. Com isso, o nome de Caiado gera notícia e é alçado nacionalmente.
“Porém, quem antecipa se torna vidraça cedo demais. Isso pode, também, comprometer a higidez da propositura, caso o desgaste promovido pelo fogo que vem dos opositores – que são sobretudo os adversários do mesmo campo político – seja suficiente para desqualificar a candidatura”, destaca.
Para Signates, do ponto de vista eleitoral, 2026 já começou, mas está longe de uma definição previsível. “Minha impressão é a de que o jogo irá se consolidar apenas depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) definir a ação penal da tentativa de golpe, com a provável consumação do destino do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Esse também é o prazo de que o presidente Lula (PT) dispõe para resolver a crise de imagem de seu governo e decidir se vai ou não à reeleição.”
Precisa ser conhecido
O professor e cientista político Guilherme Carvalho também compartilha com Signates a visão estratégica de Caiado e o sobre que muda com o lançamento da pré-candidatura dele à presidência. “Ele faz isso [lançar a pré-candidatura], pois já vem prometendo desde o ano passado, mas porque as pesquisas mostram que ele é um dos candidatos de direita menos conhecido.”
Conforme Guilherme, a maior dificuldade para um candidato se viabilizar nas eleições nacionais é o fato de ser desconhecido. Ele observa que, apesar de Caiado ter uma grande trajetória política, não é conhecido nos rincões do País. “Então, ele vai tentar fazer isso para peregrinar pelo Brasil, principalmente para onde as pesquisas estão mostrando que ele é menos conhecido”, pontua.
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O cientista político observa que Caiado tem “muito palanque”, devido ao partido que está, mas precisa cumprir uma agenda nacional. “Desde que se reelegeu, a candidatura à presidência é inevitável, pois, até pela idade [e ter passado por outros cargos], já não teria muito mais para onde ir, digamos assim.”
Guilherme argumenta, inclusive, que o governador também antecipa o vice-governador Daniel Vilela (MDB) como sucessor para tentar trazer para seu projeto o MDB – hoje, os dois partidos [MDB e União Brasil] estão com o governo Lula. “Ele tenta mostrar uma viabilidade pela centro-direita como candidato menos rejeitado, o que mostra muito potencial, se conhecido ele se tornar. Mas para chegar lá, precisa percorrer muito mais o País, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por exemplo, assim como os de Minas, Romeu Zema (Novo), e do Paraná, Ratino Júnior (PSD). Então, o trabalho de Caiado terá que ser muito maior que o deles.”