Famílias em Modo Avião
O silêncio entre pais e filhos em tempos de hiperconectividade
Em um lar típico brasileiro, a cena é comum: pais e filhos reunidos na sala, cada um imerso em sua própria tela. A convivência física contrasta com a distância emocional crescente.
Estudos apontam para os impactos desse comportamento. Uma pesquisa publicada na revista JAMA Pediatrics revelou que, a cada minuto adicional de exposição das crianças a telas, houve uma redução de 6,6 palavras emitidas pelos pais e 4,9 vocalizações pelas crianças. Além disso, registrou-se uma interação verbal a menos entre adultos e crianças.
No Brasil, a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024 indicou que 93% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos são usuários da internet, sendo que 98% acessam por meio de um celular próprio. Além disso, 16% afirmaram que já se sentiram mal por não estar conectados, e 15% relataram ter deixado de comer ou dormir devido ao uso da internet.
A supervisão parental também apresenta desafios. A mesma pesquisa revelou que mais de 60% dos pais ou responsáveis monitoram frequentemente o uso dos celulares dos filhos, com porcentagens mais altas entre crianças de 9 a 10 anos (80%) e menores entre adolescentes de 15 a 17 anos (40%).
Especialistas alertam para as consequências desse distanciamento e destacam que o uso excessivo de telas pode prejudicar o desenvolvimento de habilidades sociais, emocionais e cognitivas, afetando a atenção, memória, aprendizado e criatividade das crianças.
A era digital trouxe inúmeros benefícios, mas também desafios para as relações familiares. Promover momentos de qualidade, longe das distrações digitais, é necessário para fortalecer os laços afetivos e garantir o desenvolvimento saudável das crianças.