Seu filho nunca foi ao dentista? As férias escolares são o momento certo para mudar isso
Odontopediatra alerta que cárie pode avançar sem sintomas e que 37% das crianças brasileiras de 5 anos nunca foram ao dentista; recesso facilita agendamento sem comprometer a rotina escolar
O período de férias escolares de julho altera a rotina das crianças e também a dos pais. Os horários ficam mais flexíveis, as refeições saem da programação habitual e a escovação dos dentes pode acabar esquecida em meio aos passeios e às brincadeiras.
Por outro lado, o recesso sem aulas abre espaço na agenda para um cuidado costumeiramente adiado durante o semestre letivo: a consulta ao dentista. Além de não interferir nas atividades escolares, o acompanhamento durante as férias ajuda a identificar problemas bucais que muitas vezes avançam sem sintomas nas fases iniciais.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, a SB Brasil de 2023, mostram que 53,17% das crianças brasileiras de 5 anos estavam livres de cárie, resultado que representa avanço em relação a 2010, quando o índice era de 46,6%. Ainda assim, 37,17% das crianças de 5 anos nunca haviam ido ao dentista, segundo o levantamento.
Para a odontopediatra Denise Mendes, o período de férias facilita a inclusão da consulta na rotina da família.
“As férias escolares são uma excelente oportunidade para colocar a saúde bucal das crianças em dia. Com uma rotina mais flexível, os pais conseguem agendar consultas sem comprometer as atividades escolares. Além disso, caso seja necessário realizar algum procedimento, a criança terá tempo para se recuperar antes do retorno às aulas”, explica.
Segundo a especialista, o acompanhamento preventivo permite identificar alterações em estágio inicial e evitar a evolução para quadros de dor, infecções e tratamentos mais complexos.
Cárie avança sem sintomas visíveis
A cárie segue entre os problemas bucais mais frequentes na infância e pode evoluir sem provocar sinais nas fases iniciais. A ausência de dor, portanto, nem sempre significa que está tudo bem com a saúde bucal da criança.
“A cárie continua sendo a doença bucal mais comum na infância e, em muitos casos, evolui sem causar sintomas no início. Também encontramos gengivite, acúmulo de placa bacteriana, alterações na erupção dos dentes, defeitos no esmalte e traumatismos dentários”, afirma Denise Mendes.
Hábitos comuns na infância também entram na avaliação. Chupar o dedo e usar chupeta ou mamadeira por períodos prolongados podem interferir no desenvolvimento da arcada dentária. Muitas dessas alterações, segundo a odontopediatra, passam despercebidas pela família e aparecem apenas durante a consulta.
A avaliação vai além da busca por cáries. O profissional acompanha o crescimento dos ossos da face, a sequência da troca dos dentes e a posição dos dentes permanentes. Também observa alterações na mordida, saúde da gengiva, lesões na boca e hábitos que podem afetar a mastigação, a fala ou a respiração.
“Avaliamos ainda a necessidade de acompanhamento ortodôntico e a qualidade da higiene bucal. Quanto mais cedo essas alterações forem identificadas, maiores são as chances de um tratamento simples e eficaz”, acrescenta.
Rotina muda e exige atenção redobrada
O período sem aulas também altera a alimentação das crianças. Doces, refrigerantes, sucos industrializados e lanches entre as refeições aparecem com mais frequência. Quando essa mudança ocorre junto com a redução da escovação, aumenta o risco de cáries.
Por isso, Denise Mendes orienta que os pais mantenham a higiene bucal mesmo com a mudança nos horários. A recomendação inclui escovação após as principais refeições, uso de creme dental com flúor em quantidade adequada para a idade e uso de fio dental.
“O ideal não é proibir os doces, mas controlar a frequência de consumo e manter uma boa higiene”, explica. A odontopediatra também recomenda oferecer água após alimentos açucarados.
De forma geral, a consulta preventiva deve ocorrer a cada seis meses, mas a frequência pode mudar conforme o risco individual de cada criança. Alguns sinais, no entanto, exigem atendimento sem demora: dor de dente, inchaço, sangramento na gengiva, manchas brancas ou escuras nos dentes, fraturas após quedas, mau hálito persistente e alterações na boca que não desaparecem em poucos dias.
Manter esse acompanhamento durante as férias, segundo a especialista, é uma forma de aproveitar a flexibilidade da rotina sem abrir mão da prevenção. Os pais que adiam a consulta ao longo do ano letivo encontram no recesso escolar uma oportunidade para colocar a saúde bucal dos filhos em dia antes do retorno às aulas.
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