Deputado goiano propõe tornar movimento cristão Legendários como Patrimônio Imaterial de Goiás
Deputado Coronel Adailton apresenta projeto de lei na Alego; grupo é alvo de críticas e também de homenagens por parlamentares
Um projeto de lei que pretende reconhecer o movimento cristão Legendários como Patrimônio Cultural Imaterial de Goiás começou a tramitar na Assembleia Legislativa do Estado (Alego). A proposta foi apresentada pelo deputado estadual Coronel Adailton (SD) durante sessão extraordinária na última quinta-feira (3), e prevê também a inclusão do movimento no calendário oficial de eventos do estado.
O movimento Legendários é descrito em seu site oficial como uma iniciativa que “busca a transformação de homens, famílias e comunidades por meio de experiências que levam os homens a encontrar a melhor versão de si mesmos e seu novo potencial”. Criado em 2015 na Guatemala pelo pastor José “Chepe” Putzu, o grupo chegou ao Brasil cerca de dois anos depois e tem realizado eventos em diversas regiões, incluindo Goiás.
Além de Adailton, outros parlamentares já manifestaram apoio ao movimento. O deputado estadual Paulo Cezar Martins (PL), por exemplo, discursou na tribuna da Alego vestindo o uniforme dos Legendários e apresentou um projeto para conceder o título de cidadão goiano tanto ao fundador Chepe Putzu quanto ao diretor do movimento em Goiás, Nelson Ruela de Lima. Os dois parlamentares participaram de atividades promovidas pelo grupo.

Eventos polêmicos e atuação em Goiás
O movimento Legendários ganhou notoriedade também por seus eventos intensivos, chamados de Track Outdoor de Potencial (TOP), nos quais os participantes — exclusivamente homens — enfrentam trilhas, desafios físicos, acampamentos e dinâmicas religiosas. As imersões duram geralmente entre três e quatro dias e têm custos que variam de R$ 450 a R$ 81 mil, de acordo com o local e a estrutura oferecida.
Uma das próximas ações do grupo deve ocorrer em Caldas Novas, entre os dias 13 e 16 de agosto. Em uma postagem nas redes sociais, os organizadores afirmam que pretendem “resgatar” a cidade, conhecida pelo turismo e vida noturna. “Caldas Novas vai viver algo inédito. Por muito tempo, essa cidade foi marcada por lazer e boemia. Mas agora, uma nova história está sendo escrita”, diz o vídeo de divulgação do evento. Segundo a publicação, os participantes vão subir uma montanha para quatro dias de “confronto, verdade, propósito e transformação”.
A repercussão na internet, porém, gerou críticas. Usuários questionaram a cobrança de valores elevados e apontaram um suposto uso da fé para atrair participantes. “Religião agora ficou rentável. Inventam uma após outra”, comentou uma internauta. Outro perfil afirmou: “Resgatar valores que podem ser pagos via PIX ou boleto bancário”. As vestimentas utilizadas nos eventos, que seguem um estilo militarizado, também foram alvos de comentários críticos.
Morte em evento e atenção pública
O grupo voltou a chamar atenção da mídia após a morte de Rodrigo Nunes de Oliveira, de 40 anos, que participava de uma atividade do Legendários em Rondonópolis (MT), no dia 28 de junho. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, ele sofreu uma crise convulsiva durante o evento Track Outdoor de Potencial e não resistiu. Rodrigo era técnico de segurança do trabalho e viajou de outro estado para participar da imersão.
A morte ocorreu uma semana antes da apresentação do projeto de lei na Assembleia Legislativa de Goiás. Apesar do episódio, o movimento segue expandindo sua atuação no estado e ganhando o apoio de lideranças políticas.
O deputado federal Ismael Alexandrino (PSD) e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PSD), também já participaram de ações promovidas pelo grupo. Nenhum deles, até o momento, se manifestou publicamente sobre a proposta de reconhecimento do Legendários como patrimônio imaterial.
Caso o projeto apresentado por Coronel Adailton seja aprovado pelos parlamentares da Alego, o movimento será oficialmente reconhecido como patrimônio cultural, religioso e imaterial de Goiás. A proposta ainda deverá passar por comissões da Casa antes de ser votada em plenário.
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