quarta-feira, 28 de outubro de 2026
acordo

Padre faz acordo com MP e vai devolver R$ 1,4 milhão por cargo fantasma na Alego

O valor corresponde aos salários que ele recebeu ao longo de quase duas décadas enquanto ocupava um cargo fantasma na Assembleia Legislativa de Goiás

Micael Mourapor em
Padre faz acordo com MP e vai devolver R$ 1,4 milhão por cargo fantasma na Alego Foto:Reprodução/Instagram do padre Luiz Augusto
Padre faz acordo com MP e vai devolver R$ 1,4 milhão por cargo fantasma na Alego Foto:Reprodução/Instagram do padre Luiz Augusto

Após um acordo firmado com o Ministério Público de Goiás (MP-GO), o padre Luiz Augusto Ferreira da Silva deverá devolver R$ 1.397.086,14 aos cofres públicos. O valor corresponde aos salários que ele recebeu ao longo de quase duas décadas enquanto ocupava um cargo fantasma na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). O pagamento será feito em 48 parcelas.

Além do montante principal, o religioso também foi condenado ao pagamento de uma multa civil de R$ 46,5 mil, dividida em 10 vezes. Segundo o MP, o padre teve um enriquecimento ilícito estimado em mais de R$ 3 milhões entre os anos em que constava como servidor ativo sem exercer qualquer função.

Atualmente pároco da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Aparecida de Goiânia, o padre preferiu não comentar o caso. Em nota, a paróquia informou que não irá se manifestar sobre o episódio.

A decisão judicial que homologou o acordo foi emitida em julho, mas só veio a público nesta semana após reportagem do jornal O Popular. A ação de improbidade foi proposta em 2015. Na época, Luiz Augusto chegou a dizer que seria preso se fosse obrigado a devolver os valores, pois não teria como arcar com a quantia.

Além do padre, outras mais de dez pessoas foram acionadas na mesma ação. Entre elas, Euclides de Oliveira Franco, ex-chefe de Luiz na Alego, e o Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa de Goiás (Sindisleg), que também firmaram acordos e se comprometeram a devolver R$ 84.861,19 cada um.

No início de 2025, outros réus já haviam celebrado acordos semelhantes com o Ministério Público, prevendo devoluções que variam de R$ 34 mil a R$ 355 mil, além do pagamento de multas. Até esta quarta-feira (6), apenas um dos acusados não havia formalizado acordo de reparação.

Entenda o caso

De acordo com o MP, Luiz Augusto foi nomeado servidor da Alego em março de 1980. No entanto, após ser ordenado sacerdote, em meados dos anos 1990, passou a atuar exclusivamente como padre. Ainda assim, continuou recebendo salário do Legislativo, sem exercer nenhuma atividade funcional.

O salário mensal, segundo o Ministério Público, era de R$ 11.803. O órgão aponta que a conduta violou os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência.

A situação se manteve até 2015, quando a Justiça determinou o bloqueio de bens do padre no valor de quase R$ 12,5 milhões. Pouco tempo depois, ele foi formalmente demitido da Alego. Em 2017, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) o condenou a devolver R$ 1,3 milhão.

No entanto, em 2019, o TCE revisou parte da decisão, após recurso da defesa, e determinou a abertura de uma nova investigação. Em 2025, Luiz Augusto obteve decisões favoráveis em todas as demais ações derivadas do caso.

Nota da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus

A Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus informa que não irá se pronunciar sobre o assunto mencionado. Colocamo-nos à disposição para futuras pautas que envolvam a missão evangelizadora e pastoral do Padre Luiz Augusto à frente da Paróquia, sempre em favor da fé, da vida e do bem comum das pessoas que mais precisam.

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