quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Mais de 100 mortos

Moraes exige explicações de Cláudio Castro sobre megaoperação no Rio de Janeiro

Moraes solicita relatório detalhado e cumprimento das regras fixadas pela ADPF das Favelas após ação considerada a mais letal do estado

Otavio Augustopor em
Moraes exige explicações de Cláudio Castro sobre megaoperação no Rio de Janeiro
Alexandre de Moraes determina que governador preste contas da operação nos complexos da Penha e do Alemão. Foto: Divulgação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), apresente informações detalhadas sobre a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na última terça-feira (28). A decisão está vinculada à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, que define regras para operações policiais em comunidades do estado.

Moraes atendeu solicitação

A determinação foi proferida após solicitação do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH). O órgão pediu esclarecimentos sobre o cumprimento das normas fixadas pelo STF, sobretudo diante da alta letalidade da ação, considerada a mais violenta da história do Rio de Janeiro, com mais de 100 mortos.

Cláudio Castro deverá prestar as informações em audiência marcada para 3 de novembro. O ministro solicitou um relatório circunstanciado que contenha detalhes da operação, incluindo o número de agentes mobilizados, identificação das forças envolvidas, armamentos empregados, além de registros oficiais de mortos, feridos e detidos.

O governador também deve apresentar justificativas formais sobre o grau de força utilizado, medidas adotadas para garantir a responsabilização de agentes em caso de abusos e ações de assistência às vítimas. Moraes determinou ainda que o estado informe sobre a utilização de câmeras corporais e de viaturas, preservação de cenas de crime e atuação das corregedorias das polícias Civil e Militar.

Entre os pontos exigidos estão a comprovação da presença de ambulâncias, a comunicação imediata ao Ministério Público e o acompanhamento técnico-científico das perícias. O STF também quer informações sobre protocolos de não repetição e justificativas para o eventual uso de escolas e unidades de saúde como base operacional.

Em abril, o Supremo havia validado um conjunto de diretrizes para as operações em comunidades fluminenses. O tribunal estabeleceu que os locais de confronto devem ser preservados, com acionamento imediato do Ministério Público e das corregedorias. Toda morte decorrente de intervenção policial deve ter autópsia obrigatória e documentação fotográfica completa.

Além disso, o STF definiu que o uso da força deve observar o princípio da proporcionalidade e que as buscas domiciliares devem ocorrer preferencialmente durante o dia, com justificativa formal. Também foi determinado que, em até 180 dias, o governo regulamente a obrigatoriedade da presença de ambulâncias durante as operações.

As forças de segurança não precisam comunicar previamente a realização das ações, mas devem apresentar justificativas posteriores e registros formais sobre o uso da força. O tribunal determinou ainda a ampliação do uso de câmeras corporais e a instalação de equipamentos nas viaturas, com prazo de seis meses para comprovação.

Moraes
Moraes cobra informações do governo do Rio após operação com mais de 100 mortos. Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), também enviou ofício ao governo fluminense cobrando explicações sobre o planejamento da operação. O documento cita “alta letalidade” e possíveis violações de tratados internacionais de direitos humanos.

Outra medida do Supremo prevê que a Polícia Federal mantenha um inquérito específico sobre a atuação de facções criminosas no Rio, com equipe permanente de inteligência e cooperação com o Coaf e a Receita Federal. O estado também deverá apresentar um plano de retomada territorial das áreas dominadas por organizações criminosas, com recursos de diferentes esferas governamentais.

A audiência de novembro deverá definir se o governo do Rio de Janeiro vem cumprindo as determinações da ADPF das Favelas e se os protocolos de segurança e proporcionalidade estão sendo respeitados nas operações policiais.

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