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Com depressão, Torres pede para cumprir pena na PF ou em batalhão da PM

Ex-ministro, Torres, afirma tratar depressão e alega risco no sistema prisional comum.

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 24 de novembro de 2025
Com depressão, Torres pede para cumprir pena na PF ou em batalhão da PM
Defesa de Anderson Torres solicita prisão em unidade especial. Foto: Divulgação

O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprir a eventual pena na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, ou no Batalhão de Aviação Operacional (Bavop) da Polícia Militar do DF. O pedido foi enviado nesta segunda-feira (24/11) ao ministro Alexandre de Moraes. A solicitação ocorre após Torres ser condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Defesa cita quadro clínico e uso de medicamentos

A defesa afirma que Torres trata um quadro de depressão desde sua prisão, em janeiro de 2023. Segundo os advogados, ele faz uso contínuo de venlafaxina, um antidepressivo, e de olanzapina, um antipsicótico. Assim, a condição psicológica tornaria, de acordo com a petição, “incompatível” o recolhimento do ex-ministro em um presídio comum. Os representantes alegam risco à integridade física e psíquica do cliente.

Torres
Condenado pelo STF, Torres quer permanecer em instalações da PF ou da PM. Foto: Divulgação

Histórico profissional é apontado como fator de risco de Torres

Além das questões de saúde, a defesa sustenta que Torres enfrenta risco elevado no sistema prisional. Delegado da Polícia Federal há mais de 20 anos, ele exerceu cargos de grande exposição e atuou em enfrentamentos ao crime organizado. Quando era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, chegou a receber ameaças de morte, o que motivou reforço na proteção pessoal. Por isso, os advogados afirmam que o histórico profissional justificaria sua permanência em instalações especiais.

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Pedido ainda depende de análise

O pedido será avaliado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das ações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023. Até o momento, não há decisão sobre o local de cumprimento da pena.

Pedido cita histórico profissional e uso contínuo de medicamentos. Foto: Divulgação

Condenação na Primeira Turma

A Primeira Turma do STF condenou Torres a 24 anos de prisão. Do total, 21 anos e seis meses correspondem à pena de reclusão e 2 anos e seis meses à pena de detenção. Os ministros entenderam que Torres utilizou o cargo para “desvirtuar” a realidade das eleições de 2022. Segundo o voto de Moraes, o Ministério da Justiça articulou uma operação para que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) dificultasse a chegada de eleitores às urnas no segundo turno, em 30 de outubro daquele ano.

A decisão também considerou a atuação de Torres durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Na época, ele ocupava o cargo de secretário de Segurança do DF e deixou o país dois dias antes dos ataques, mesmo com alertas de inteligência sobre o risco de invasão às sedes dos Três Poderes. Outro ponto analisado foi a minuta de decreto encontrada em sua residência, que previa uma intervenção irregular na Justiça Eleitoral e foi considerada pelos ministros como indício de articulação para contestar o resultado eleitoral.

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