Dono das vacas mais caras do mundo aposta em “fábrica” de touros de elite
Paulo de Castro Marques investe milhões em programa de seleção genética que pretende produzir até mil reprodutores por ano a partir de 2029
Conhecido por criar algumas das vacas mais valiosas do planeta, o empresário Paulo de Castro Marques prepara uma nova frente de atuação na pecuária. À frente da Casa Branca Agropastoril, ele lançará um programa voltado à produção em escala de touros Nelore PO destinados ao trabalho no campo.
As informações foram reveladas pelo jornalista Luiz Fernando Sá, em reportagem publicada originalmente pelo AgFeed. Em entrevista ao veículo, Marques estimou que a pecuária brasileira enfrenta um déficit de aproximadamente 150 mil touros reprodutores por ano.
O Programa Casa Branca de Seleção de Touros Nelore PO será apresentado durante a ExpoGenética, realizada em agosto, em Uberaba, Minas Gerais. A meta é chegar à oferta de até mil touros por ano a partir de 2029.
A iniciativa representa uma mudança na atuação da Casa Branca. A empresa ganhou projeção nacional e internacional com animais de pista avaliados em valores milionários, mas agora pretende levar a genética selecionada para a produção comercial de carne.
Uma das vacas do plantel, a Viatina-19 FIV da Mara Móveis, entrou no Guinness como a mais valiosa do mundo, após atingir avaliação de R$ 21 milhões. Outro animal criado pela Casa Branca, a vaca Donna, foi avaliado em R$ 54 milhões durante um leilão realizado em novembro de 2025.
Compra acelerou o projeto
O novo programa ganhou escala depois que a Casa Branca adquiriu 300 fêmeas e 5.063 embriões congelados da Nelore Grendene. O rebanho havia sido desenvolvido ao longo de mais de 30 anos na Fazenda Ressaca, em Cáceres, no Mato Grosso.
A propriedade foi comprada pela JBJ Investimentos, holding do empresário José Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi. Após a aquisição, a empresa decidiu mudar o direcionamento do trabalho genético realizado na fazenda e negociou parte do plantel.
Marques aproveitou a oportunidade para incorporar à Casa Branca material genético de diferentes linhagens. Os embriões foram implantados em receptoras durante a última estação de monta. Segundo os dados apresentados pelo AgFeed, a expectativa era obter cerca de 1,7 mil crias em 2026.
Atualmente, o projeto conta com aproximadamente 550 fêmeas. Consultores avaliam que entre 100 e 150 delas apresentam condições para atuar como doadoras e acelerar a multiplicação genética.
Além do material da Nelore Grendene, a Casa Branca já havia realizado aquisições de criadores como Katayama, Lemgruber e JMP, priorizando características associadas à produtividade.
Animais passarão por avaliações
A seleção dos futuros reprodutores envolve a análise do desempenho de cada animal. Na propriedade mineira da Casa Branca, cochos e balanças medem o ganho diário de peso, o consumo residual e a conversão alimentar.
Especialistas também realizam avaliações de qualidade da carcaça, marmoreio e área de olho de lombo por meio de exames de ultrassonografia. As medições ocorrem quatro vezes por ano e alimentam um programa de análise genética.
O objetivo é identificar animais com maior capacidade de transmitir características produtivas aos descendentes. Marques acredita que a genética dos touros poderá reduzir o tempo necessário para o gado alcançar o peso de abate, aumentando a eficiência e a rentabilidade dos pecuaristas.
O empresário afirmou ao AgFeed que o programa já consumiu alguns milhões de reais, embora não tenha informado o valor exato. Os investimentos incluem estrutura, formação da equipe e preparação do projeto.
A Casa Branca Agropastoril opera cinco propriedades, sendo quatro no sul de Minas Gerais e uma no Mato Grosso. Juntas, elas somam aproximadamente 25 mil hectares. A fazenda mineira funcionará como centro de seleção, enquanto a unidade mato-grossense será utilizada para multiplicação genética e venda direta.
Além da atuação rural, Paulo de Castro Marques é sócio da Biolab, indústria farmacêutica com receita anual superior a R$ 3 bilhões. A Casa Branca foi criada em 2000 e trabalhou inicialmente com as raças Simental e Angus. O Nelore, que representa cerca de 80% do rebanho brasileiro, ganhou maior espaço nas operações do grupo nos últimos cinco anos.
*Conteúdo produzido a partir da reportagem original “O homem das vacas milionárias agora monta uma ‘linha de produção’ de touros de alta qualidade”, escrita pelo jornalista Luiz Fernando Sá e publicada pelo AgFeed em 30 de julho de 2026. As declarações de Paulo de Castro Marques foram concedidas originalmente ao AgFeed.
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