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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
OPINIÃO

PT vai esperar por PSDB sem lançar candidatos majoritários

Depois de fracassar a tentativa com José Eliton, esquerda espera até março o “sim” de Marconi, que teme o efeito eleitoral do conservadorismo do eleitor goiano, principalmente do agro, quando dividir o palco com Lula

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 7 de janeiro de 2026
PT
Diante de exemplos tão cabais, Marconi e o PT precisam ser suicidas para insistir no que não está dando certo. Por isso, as lideranças petistas estão na cola de Marconi, que está novamente bem nas pesquisas, mesmo quando não as lidera Foto: Divulgação/PSDB

Como pode um líder nas pesquisas perder duas eleições seguidas pelo mesmo erro? Tem cabimento o partido que ganha a Presidência da República ser tão mal em Goiás. As respostas estão nos próximos parágrafos, com sugestões de solução.

Marconi Perillo era favorito para voltar ao Senado nas duas últimas eleições. Liderou pesquisas até às vésperas e perdeu ambas: em 2018, ficou em 5º com 416.613 votos, 7,37%; em 2022, ficou em 2º (626.662, 19,8%). Motivo das derrotas: na 1ª, seus candidatos a presidente e a governador foram massacrados nas urnas (Geraldo Alckmin, na 2ª tentativa de chegar ao Palácio do Planalto, obteve em Goiás 146.440 votos ou 4,49%, 4º lugar; José Eliton, que tentava se reeleger ao Palácio das Esmeraldas, conseguiu 407.507, 13,73%, 3º lugar); na 2ª nem candidato a governador e presidente teve.

O PT já venceu 5 disputas para presidente do Brasil, nenhuma para governador ou senador em Goiás. Em 2018, sua candidata ao governo foi Kátia Maria, que penou com 271.807 votos, 9,16%, 4ª colocada. Uma vereadora em Anápolis, Professora Geli, e um deputado estadual, Luis Cesar Bueno, se sacrificaram para o PT ter chapa ao Senado: conseguiram 132.773 (2,41%) e 101.743 (1,84%). Em 2022, o governadoriável foi o Wolmir Amado, ex-reitor da PUC-GO, que tirou 6,98%, 243.561 votos, menos que a deputada federal Silvye Alves (254.653). São bons quadros, mas ainda não fizeram link com os goianos.

Insistir no erro é suicídio político

Diante de exemplos tão cabais, Marconi e o PT precisam ser suicidas para insistir no que não está dando certo. Por isso, as lideranças petistas estão na cola de Marconi, que está novamente bem nas pesquisas, mesmo quando não as lidera. As três maiores figuras da esquerda goiana (os deputados federais Adriana Accorsi e Rubens Otoni e o sindicalista Delúbio Soares) têm uma missão, que também é a de seus companheiros nas demais unidades da federação: reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estão dispostos e com cartas na manga para fazer alianças com qualquer grupo ou pessoa, desde que o candidato a presidente de todos seja Lula.

Não se entende a resistência de Marconi para se aliar à esquerda. Seu partido é de esquerda. Os maiores líderes, também. Marconi teve apoio da esquerda goiana na 1ª de suas quatro vitórias para governador e convivência serena na Assembleia nos quatro mandatos. Em 2020, Marconi apoiou o petista Pedro Wilson para prefeito de Goiânia. E ele ganhou. Nada há de errado nisso, pelo contrário. Apoio é virtude que não se rejeita. A esquerda inteira, PT incluído, se esmerou para eleger Sandro Mabel na Capital em 2024. Qual o problema? Havia um adversário em comum (Fred Rodrigues, do PL), lutaram juntos com ele.

Todo mundo já foi aliado de todo mundo

Os partidos se entrelaçam, independentemente de ideologia. O PSD está no 1º escalão de Lula e de Caiado. O PP, idem. O MDB, ibidem. O União Brasil, também. Republicanos? Claro. Isso se chama governabilidade. À exceção do MDB, todos estiveram nas gestões de Marconi. Então, por que o prurido do pré-candidato do PSDB em ficar no mesmo palanque de Lula? O que Lula fez de errado que os tucanos também não fizeram?

Outra conta que não bate é o medo de Marconi em ampliar sua já grande rejeição ao se aliar à esquerda, que na prática já é sua – e deve ser oficializado em março. O PL, que concentra os bolsonaristas mais radicais, é recheado de figuras que estiveram próximas ao PT e a suas causas.

Mire-se no exemplo do humilde Aécio

O Marconi mineiro, Aécio Neves, também foi bem-sucedido governador, também foi presidente nacional do PSDB, também chegou ao Senado e caiu por uma denúncia irresponsável da Operação Lava Jato. A diferença é que Aécio teve a humildade de ser candidato a deputado federal em 2018 e 2022, ganhou ambas, ao contrário de Marconi.

Em 1998, Marconi foi muito beneficiado por Aécio que, como presidente da Câmara dos Deputados, o nomeou relator da cassação de Sérgio Naya. A visibilidade conquistada à época foi fundamental para dar a Marconi o perfil de implacável com o erro: Naya havia construído prédios usando areia da praia e os edifícios caíram fazendo vítimas. Para este ano, Aécio e Marconi poderão se reencontrar com campanhas para governador e ao lado do PT. Em Goiás e Minas, a direita faz picadinho da esquerda dividida. Por isso, a receita é a que Delúbio está fazendo nas articulações em Goiás: quem fizer campanha para Lula é meu amigo, brigou com ele, brigou comigo.

A rejeição a Lula em Goiás é mesmo irreversível?

Marconi Perillo não tem vice, não tem dupla de candidatos ao Senado, não tem partidos querendo se aliar, não tem chapa completa para a Câmara dos Deputados e muito menos para a Assembleia Legislativa. O PT também tem exatamente nada disso, com um adendo: também não tem candidato a governador. O que Marconi também não possui é argumento para refutar a aliança com a esquerda.

Veja-se o caso do Sudoeste, o conjunto de municípios goianos em que o agro é mais forte. De acordo com o grande temor de Marconi, a principal cidade da região, Rio Verde, deve ter dado uns 10% de votos a Lula contra Jair Bolsonaro em 2022, certo? Nada disso: teve 38,1%. Detalhe: o governador Ronaldo Caiado e o então prefeito, Paulo do Vale, tinham aprovação na faixa dos 90% e estavam com Bolsonaro. E Lula? Ninguém, só ele mesmo. A 2ª maior cidade do Sudoeste é Jataí. Outra sova sem precedentes, claro… que não: Lula teve 41,29%.

Se nenhum argumento óbvio convencer Marconi, existe um que é implacável: Lula repassou emendas para todos os municípios goianos trocentas vezes. O que os deputados federais e senadores levam para os prefeitos é de onde? Dos ministérios, ou seja, de auxiliares de Lula.

Desde 1989, Lula nunca teve uma chapa competitiva em Goiás. Seus programas sociais, assim como os do governador Ronaldo Caiado, têm aprovação de 100% dos beneficiários. Em quantos lugares do Estado? Todos. Significa que nenhum tem reprovação total ou rejeição que não possa ser revertida.

Ah, mas o agro não apoia. Agro não é uma pessoa ou um segmento. Tem gente de todo jeito e pra todo lado. A agricultura familiar, que tem muito mais voto que os grandes fazendeiros, é propícia a votar em quem a serve. Caiado, por exemplo, é de direita e esses pequenos produtores o apoiavam em agradecimento. Ou seja, não é partido ou ideologia, é serviço prestado. Prestem que o povo retribui.

 

 

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