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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Dosimetria

Dosimetria: disputa agora é voto a voto no Congresso

Lula barra projeto sobre dosimetria e PT mobiliza aliados. MDB elogia decisão e oposição tenta antecipar sessão em meio à disputa política

Paula Costapor Paula Costa em 8 de janeiro de 2026
Dosimetria
Presidente rejeita PL que poderia beneficiar Jair Bolsonaro. Crédito: Agência Brasil.

Após o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciado nesta quinta-feira (8), governistas articulam pressão para impedir a derrubada da decisão em plenário, ao projeto de lei conhecido como PL da Dosimetria. Base governista reagiu e articula para manter veto de Lula no Congresso.

Além dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), outro nome que fez falta durante a cerimônia de alusão aos três anos dos atos golpistas do 8 de janeiro, realizada nesta quinta-feira no Palácio do Planalto, foi o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. O ministro está na capital federal e participará, às 15h, de um evento na Corte também para relembrar o aniversário da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.

Entre os governistas, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que o governo agora concentrará esforços na mobilização e na pressão sobre deputados e senadores para evitar a derrubada do veto em plenário. Na mesma linha, o senador Marcelo Castro (MDB-PI) publicou nota em suas redes sociais elogiando a decisão de Lula, afirmando que o gesto reafirma o compromisso do governo com a defesa do Estado Democrático de Direito. A também deputada Carol De Toni (PL-SC) sugeriu antecipar essa sessão do Congresso, algo que muito dificilmente acontecerá, mas ela apresentou um requerimento para poder convocar uma sessão extraordinária, ainda no recesso.

A decisão presidencial ocorreu em um contexto de ausências já esperadas no Congresso Nacional, como o de Motta e Alcolumbre. Interlocutores próximos a Hugo Motta afirmaram que o veto já era tratado como uma prerrogativa do presidente da República e que a forma como foi anunciado reforça a narrativa de polarização política que, segundo eles, o governo e o PT vêm atribuindo ao tema. Essa leitura também explicaria o distanciamento da cúpula do Congresso, que desde o ano passado avalia o evento como um instrumento de acirramento político.

Aliados de Davi Alcolumbre avaliam que o veto presidencial deverá ser derrubado pelo Congresso Nacional, embora não haja previsão para a análise do tema. De acordo com esses interlocutores, o presidente do Senado só deve iniciar as conversas com líderes partidários após o retorno oficial das atividades em Brasília.

Apesar do veto integral, a postura de Lula foi destacada como um gesto político ao Congresso. Segundo auxiliares dos presidentes da Câmara e do Senado, o presidente evitou críticas diretas ao Parlamento e ao projeto aprovado, além de ter feito elogios públicos ao Congresso Nacional. Lula também reconheceu a correlação de forças no Legislativo ao afirmar que o PT e partidos de esquerda somam atualmente cerca de 130 votos, número insuficiente para impor pautas de forma isolada.

Durante o evento, Lula ainda citou o Supremo Tribunal Federal ao comentar o julgamento da chamada trama golpista, elogiando a atuação da Corte. Em discurso, o presidente afirmou que o processo ocorreu com ampla defesa, transparência e base em provas robustas, e reforçou que o país não pode admitir retrocessos democráticos. “Em nome do futuro, não temos o direito de esquecer o passado. Não aceitamos nem ditadura civil, nem ditadura militar”, declarou.

A leitura predominante entre lideranças do Congresso é de que o veto, embora esperado, amplia o debate político em um ano eleitoral e mantém aberta uma disputa institucional que deve se intensificar com o fim do recesso parlamentar.

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