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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Abertura de empresas

Golpes na renovação de CNPJs se intensificam e usam dados públicos para enganar empresários

Mensagens por e-mail e SMS simulam comunicações oficiais da Receita Federal, falam em cancelamento ou pendências graves dos CNPJs e exploram o crescimento recorde de abertura de empresas em Goiás

Letícia Leitepor Letícia Leite em 8 de janeiro de 2026
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Golpistas incluem razão social, número do CNPJ e até endereços verdadeiros para dar credibilidade à abordagem. Foto: Marcello Casal Jr./ABr

O período de renovação e atualização de dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) tem sido marcado por um aumento significativo de tentativas de golpes contra empresários e empreendedores em todo o País. 

Mensagens enviadas por e-mail e SMS informam supostos cancelamentos de cadastro, pendências fiscais graves ou a necessidade de regularização imediata, sempre acompanhadas de tom alarmante e aparência oficial.

O que torna esse tipo de fraude ainda mais convincente é o uso de informações reais das empresas. Como os dados cadastrais são públicos, golpistas incluem razão social, número do CNPJ e até endereços verdadeiros para dar credibilidade à abordagem. 

“Quando a gente vê nosso nome completo, o CNPJ da empresa e até o endereço certo, a primeira reação é achar que aquilo é verdadeiro”, relata o comerciante Carlos Almeida, que diz ter recebido mensagens suspeitas recentemente.

Segundo ele, o contato chegou tanto por e-mail quanto por SMS. “O texto dizia que meu CNPJ tinha sido cancelado por pendência fiscal grave e que eu precisava regularizar imediatamente. Tinha um botão em destaque e palavras em vermelho, como ‘sanções’ e ‘urgente’. Confesso que deu um susto”, afirma. Desconfiado, Carlos não clicou no link e buscou informações diretamente no site oficial da Receita Federal, onde constatou que não havia qualquer irregularidade.

A Receita Federal confirmou ter identificado uma nova estratégia utilizada por criminosos para se passar pela Instituição de forma ainda mais convincente no ambiente virtual: a simulação de endereços de e-mail oficiais do órgão. A técnica, conhecida como spoofing, consiste na manipulação do cabeçalho da mensagem para que o remetente aparente ser legítimo. 

Em casos recentes, o e-mail aparece como enviado por “Receita”, associado a endereços reais do órgão, como [email protected], utilizado pela Receita Federal. Além disso, os golpistas utilizam logotipos, cores institucionais e linguagem técnica semelhante à empregada pela Receita Federal, reforçando a sensação de autenticidade.

O objetivo do golpe é induzir o contribuinte ao erro. Ao clicar no link para “regularizar a situação”, a vítima pode acabar instalando programas maliciosos no computador ou celular, além de fornecer dados sensíveis que facilitam fraudes financeiras.

A Receita Federal reforça que não envia e-mails com links para regularização, cobrança ou alerta de pendências. Os endereços de atendimento do órgão são usados exclusivamente para responder demandas que tenham sido previamente abertas pelo próprio contribuinte. Diante de qualquer dúvida, a orientação é acessar diretamente o site oficial (www.gov.br/receitafederal) ou utilizar apenas os canais oficiais de atendimento.

Também é importante desconfiar de mensagens com tom excessivamente alarmista, erros de ortografia, pedidos de urgência e comunicações que solicitem ações imediatas sem que o contribuinte tenha iniciado contato prévio. A recomendação é clara: não clicar em links, não abrir anexos e nunca fornecer informações pessoais ou empresariais por mensagens suspeitas.

Goiás bate recorde de novos CNPJs e amplia alerta contra fraudes digitais

O alerta ganha ainda mais relevância em Goiás, que fechou 2025 com um novo recorde na abertura de empresas. De acordo com a Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), foram registrados 178.598 novos CNPJs no ano, 34.548 a mais que o recorde anterior, de 2024. Do total, 44.497 são empresas de pequeno, médio e grande porte, enquanto 134.101 correspondem a Microempreendedores Individuais (MEI).

Sem considerar os MEIs, o capital social investido no Estado somou R$ 12,6 bilhões em 2025, sendo mais de R$ 10 bilhões provenientes de empresas com capital declarado acima de R$ 500 mil. Atualmente, Goiás concentra mais de 1,27 milhão de empresas ativas, com pouco mais de 30% localizadas na Capital.

Para o economista Luiz Carlos Ongaratto, o crescimento no número de empresas está diretamente ligado ao fluxo migratório e ao dinamismo da economia goiana. 

“A gente tem visto Goiás como o segundo Estado que mais recebe imigrantes no Brasil, que podem tanto seguir com trabalhos de carteira assinada, informais, mas também são empreendedores abrindo micro pequenas empresas”, explica. Ele avalia ainda que, no médio prazo, o crescimento deve se concentrar mais em empresas não MEI, acompanhando a maturação do mercado de trabalho.

O presidente da Juceg, Euclides Barbo Siqueira, destaca que políticas públicas e melhorias institucionais foram decisivas para o recorde de novos negócios. “O governo de Goiás tem sido um motivador fundamental, com incentivos por meio da Secretaria da Retomada, que dá condições para que esses empresários se capacitem. Há ainda os benefícios da Goiás Fomento, financeiramente falando”, afirma.

Diante desse cenário de expansão econômica e aumento no número de empreendedores, especialistas reforçam que a atenção a golpes virtuais deve ser redobrada. Informação, cautela e o uso exclusivo de canais oficiais são as principais armas para evitar prejuízos e garantir que o crescimento dos negócios em Goiás não seja acompanhado por dores de cabeça causadas por fraudes digitais.

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