Qual a possível rota do PSB goiano com Aava na direção estadual
Com foco em apoiar Marconi para governador e Lula na reeleição ao Planalto, futura presidente da sigla revela pistas sobre o rumo do partido em Goiás
Com o aval de João Campos, prefeito de Recife e presidente nacional do PSB, e do presidente estadual da sigla, o ex-deputado federal Elias Vaz, o Partido Social Brasileiro deve assumir uma nova configuração sob o comando da vereadora Aava Santiago da legenda em Goiás a partir de fevereiro.
Na última segunda-feira (5), a parlamentar oficializou que vai deixar o PSDB para se filiar ao PSB. Após conversa com João Campos na capital pernambucana, Aava definiu a mudança de partido, que está prevista para ocorrer no início de fevereiro, quando a vereadora vai assumir a presidência estadual do partido no lugar de Elias Vaz.

A vereadora carrega a máxima de parlamentar mais votada da história de Goiânia e, ao representar uma das forças de esquerda que mais cresce no Estado, sua tarefa como presidente estadual do PSB deve garantir mudanças e avanços significativos para a legenda.
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Tida como uma organização mais “neutra” diante da gestão do governador Ronaldo Caiado (UB) e do vice-governador Daniel Vilela (MDB), o PSB assume agora uma posição definitivamente de oposição à gestão estadual, o que se alinha com o posicionamento de Aava.

A suposta falta de sentido nessa estratégia se dá, até então, pelo fato de Marconi ser um crítico da gestão Lula e porque o tucano se nega a declarar apoio à reeleição do petista. Com a chegada de Aava Santiago ao PSB, abre-se a possibilidade de que o tucano seja o pré-candidato a governador escolhido pelos partidos liderados pelo PT no palanque da reeleição de Lula no Estado.
Espaço no Congresso
Outro desafio para a sigla é a necessidade de conseguir mais cadeiras na Câmara dos Deputados, algo almejado por Aava, e garantir o cumprimento da cláusula de barreira, que define que somente podem ter acesso aos recursos do Fundo Partidário e à propaganda gratuita em rádio e televisão os partidos políticos que alcançarem pelo menos um dos critérios de desempenho fixados.

A execução da regra é feita por meio da eleição de pelo menos 11 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove unidades da federação ou a obtenção de, no mínimo, 2% dos votos válidos nas eleições para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove Estados do País, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada um deles.
Diante da ideia de que o PSB pode enfrentar grandes mudanças em 2026, o atual presidente estadual comenta, em entrevista ao O HOJE, o que espera de novidade para a sigla após a filiação de Aava. “A possível mudança que o partido deve apresentar é no sentido de que a vereadora soma muito no ponto de vista qualitativo, inclusive pela qualidade de militância política que ela tem para o PSB. Esse é o sentimento que nós temos.”
Ao ser questionado sobre a expectativa de avanço da legenda por meio da atuação de Aava, o presidente estadual faz menção a questões eleitorais. “Tenho certeza que o partido terá uma intervenção muito mais forte nas próximas eleições. Eu não tenho dúvida que a vinda da Aava é importante e soma muito”, ressalta Elias Vaz ao O HOJE.
Novos rumos
Desde o anúncio da mudança de partido, a vereadora falou sobre a configuração que deseja ver na legenda sob sua direção. “O PSB tem uma história profundamente ligada à luta por justiça social, democracia e redução das desigualdades. É nesse campo que eu sempre atuei e é a partir desses valores que vamos construir, em Goiás, um partido forte, plural e preparado para disputar projetos, ideias e caminhos para o futuro”, afirmou a futura presidente do partido.

O sociólogo Jones Matos analisa a trajetória do PSB em Goiás e ressalta o que pode mudar ou permanecer no partido que será comandado pela vereadora. “Aava chega para somar uma estrutura que já existe. O PSB é uma sigla que tem história em Goiás. O Partido não começa agora.”
Para Jones, há diferença em atuar na presidência de uma organização partidária e na Câmara da Capital. “Presidir um partido no Estado é diferente de ser vereador em Goiânia. Portanto, será preciso diálogo com todas as correntes da agremiação. Caso contrário, haverá dificuldades de convivência”, pontua o sociólogo em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)