Protestos no Irã desafiam governo de Khamenei e criam tensão com EUA
Líder Supremo diz que protestos servem a interesses dos EUA e afirma que o governo não vai recuar
Protestos que se espalharam por diversas cidades do Irã nos últimos dias levaram milhares de pessoas às ruas em manifestações contra o governo do aiatolá Ali Khamenei. Vídeos divulgados nas redes sociais registraram cenas de confrontos, carros incendiados e manifestantes entoando palavras de ordem contra o governo, além do ato simbólico de rasgar a bandeira do país.
Diante da escalada dos atos, o líder supremo iraniano afirmou na sexta-feira (9) que o governo não irá recuar. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Khamenei classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores” e atribuiu a violência a interesses estrangeiros, em referência direta ao Governo de Donald Trump.

“Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, disse. Segundo ele, os manifestantes “estão destruindo as próprias ruas para agradar o presidente de outro país” e afirmou que o líder norte-americano deveria “cuidar do seu próprio país”.
Protestos no Irã têm início impulsionado por crise econômica
Os protestos tiveram início no final de 2025, quando comerciantes de Teerã organizaram atos impulsionados por uma crise econômica. Em um ano, a moeda local perdeu metade do valor frente ao dólar, enquanto a inflação ultrapassou 40%. Com o aumento da repressão policial, parte dos manifestantes passou a defender a renúncia de Khamenei.

A crise interna também aprofundou as tensões entre Irã e EUA. O presidente Donald Trump afirmou que não tolerará a morte de manifestantes e ameaçou reagir. Em resposta, Khamenei chamou o líder norte-americano de “arrogante” e disse que suas mãos “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios contra instalações nucleares em 2025.

Organizações de direitos humanos contabilizam mais de 40 mortos desde o início das manifestações, entre eles integrantes das forças de segurança. O número pode ser maior devido às restrições impostas pelo governo à divulgação de informações.