Banco Central fez alertas a Vorcaro um ano antes de liquidação
Parecer sigiloso do TCU afastou alegações de que a liquidação do Master foi um ato precipitado
Um ano antes de determinar a liquidação do Master, o Banco Central detectou dificuldades do banco do executivo Daniel Vorcaro em captar recursos e honrar compromissos e alertou sobre o risco de adoção de “medidas prudenciais preventivas”.
É o que consta no parecer sigiloso da equipe de auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) que analisou as informações enviadas pela autoridade monetária. O documento afastou as alegações do banco de Daniel Vorcaro de que a liquidação do Master foi um ato precipitado, de acordo com relevação da coluna da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo.

De acordo com a Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do TCU, os alertas ao Master sobre a possibilidade de aplicar sanções por falta de liquidez do banco começaram em novembro de 2024 e se repetiram até setembro de 2025.
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Neste momento, segundo o próprio relatório, fazia mais de cinco meses que o Master não realizava depósitos compulsórios ao Banco Central, uma obrigação dos bancos em depositar parte de suas captações.

Informações levantadas pelo Banco Central
Na avaliação dos auditores do TCU, a linha temporal traçada a partir das informações trazidas pelo Banco Central mostra que não houve “inação ou falta de acompanhamento por parte da autarquia, sendo demonstrado o monitoramento contínuo por parte do regulador, conforme relatado pela instituição”.
É o oposto do que sugeriu o relator do caso Master no TCU, Jhonatan de Jesus, que chegou a ameaçar reverter a decisão do Banco Central de liquidar o Master, mas nesta quinta-feira (8) recuou e suspendeu a inspeção.
A liquidação do Master acabou por ser decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, em decisão unânime, após a operação autorizada pela Justiça Federal de Brasília que levou Vorcaro à prisão. (Especial para O HOJE)