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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Alerta

Paralisação pode provocar superlotação e efeito dominó na saúde de Goiânia

Com nova greve a partir de 13 de janeiro, redução de atendimentos na rede municipal acende alerta para caos nas UPAs e possível sobrecarga nos hospitais estaduais

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 12 de janeiro de 2026
paralisação
freepik

Quem depende da rede pública de saúde em Goiânia deve se preparar para dias de incerteza. Uma nova paralisação dos médicos credenciados da rede municipal está prevista para começar à 0h do dia 13 de janeiro de 2026, por tempo indeterminado. 

O movimento foi anunciado pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) e reacende um alerta já conhecido pela população: quando o atendimento diminui, a demanda continua e o resultado costuma ser superlotação, filas e risco de colapso no sistema.

Esse é o ponto mais crítico da paralisação. A equação é simples e, ao mesmo tempo, preocupante: a população não deixa de adoecer, mas os serviços disponíveis encolhem. Em greves anteriores, cerca de 70% das consultas agendadas foram canceladas, além da suspensão de procedimentos eletivos, cirurgias e atendimentos em unidades como Centro de Atenção Integrada à Saúde (CAIS) e Unidade de Pronto Atendimento (UPAs). 

Com menos médicos em atividade, os pacientes acabam migrando para os poucos serviços em funcionamento, concentrando a procura e aumentando o tempo de espera.

Demanda contínua e atendimento reduzido

Mais da metade dos médicos da rede municipal pode aderir à paralisação, como já ocorreu em movimentos anteriores. Nesse cenário, as UPAs da Capital tendem a operar com déficit de profissionais, o que aumenta significativamente o risco de superlotação. Casos que poderiam ser resolvidos na atenção intermediária acabam represados ou encaminhados para hospitais de maior complexidade.

Para o sindicato, a paralisação é consequência direta da falta de respostas efetivas da administração municipal. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral Extraordinária Permanente, realizada no dia 6 de janeiro, diante da persistência de problemas estruturais. 

Entre as principais reivindicações estão melhores condições de trabalho, regularidade e previsibilidade nos pagamentos, oferta de insumos básicos e a manutenção do Edital de Chamamento nº 06/2024. A entidade critica o novo edital, nº 03/2025, que, segundo o Simego, reduz em até 35% os honorários médicos e permite jornadas de até 24 horas contínuas.

“A precarização do trabalho médico reflete diretamente na qualidade do atendimento prestado à população. Não é uma pauta corporativa, é uma questão de segurança assistencial”, afirmou a presidente do sindicato, Franscine Leão. Apesar da paralisação, o Simego garante que os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos, conforme determina a legislação.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informou que os serviços de urgência e emergência devem funcionar integralmente durante a paralisação. A pasta destacou que o novo edital de credenciamento busca adequar os valores dos plantões à realidade de mercado, com base em estudos de impacto orçamentário e financeiro realizados na região metropolitana.

Sobre os pagamentos, a SMS afirmou que não há repasses em atraso e que tanto o edital anterior quanto o atual preveem o pagamento até o 20º dia útil do mês subsequente. Em relação à carga horária, a secretaria reforçou que a jornada é escolhida pelo próprio médico no momento do credenciamento e que o limite de 24 horas segue a legislação e recomendações do Conselho Federal de Medicina.

Mesmo assim, a pasta reconhece que monitora a situação e acompanha o movimento sindical para garantir a continuidade dos serviços essenciais.

Impacto da paralisação além da rede municipal

Outro ponto sensível levantado pela reportagem é o possível reflexo da paralisação na rede estadual de saúde. Com a redução do atendimento municipal, cresce a preocupação de que hospitais estaduais de urgência e emergência, como o Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (HUGO) e o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL), passem a receber uma demanda ainda maior de pacientes vindos da Capital.

A reportagem questionou a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) sobre a possibilidade de sobrecarga na rede estadual diante da paralisação municipal, mas a pasta optou por não se manifestar sobre o tema. O silêncio de certa forma preocupa,  já que o histórico mostra que, em períodos de greve, há aumento na procura por hospitais de alta complexidade, mesmo para casos que não se enquadram nesse perfil.

Enquanto não há um posicionamento oficial da SES, o cenário que se desenha é de tensão e expectativa. A população, mais uma vez, fica no centro de um confronto entre gestão pública e profissionais da saúde, convivendo com a incerteza sobre o acesso a atendimentos básicos.

Se não houver avanço no diálogo, a paralisação pode transformar um problema administrativo em um desafio maior, com impacto direto na rotina de quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para cuidar da própria saúde, quando não pode esperar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) marcarem suas consultas.

Leia mais: Motoristas da Rápido Araguaia relatam atraso salarial e indicam paralisação em Goiânia

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