Trump impõe tarifa de 25% a parceiros comerciais do Irã
Líder norte-americano amplia pressão econômica sobre o Irã com anúncio de tarifas a países que mantém parceria comercial com Teerã
Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos de países que mantêm relações comerciais com o Irã, medida que amplia a pressão econômica sobre Teerã em meio a protestos internos, repressão estatal e alertas de líderes ocidentais sobre a estabilidade do regime iraniano.
A decisão foi confirmada pelo presidente Donald Trump na segunda-feira (12), quando afirmou que qualquer país que “faz negócios” com o Irã estará sujeito à tarifa. “Essa ordem é final e definitiva”, escreveu o presidente na plataforma Truth Social. A Casa Branca não divulgou detalhes adicionais sobre a aplicação da medida, que atinge parceiros comerciais do Irã como China, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Turquia e Índia.
Ainda, na terça-feira (13), Trump também incentivou a população a continuar protestando e afirmou que a “ajuda” está a caminho. “Patriotas iranianos, continuem protestando — ocupem suas instituições!!!… a ajuda está a caminho”, escreveu em publicação na Truth Social.

Mortos em protestos no Irã somam mais de mil
O anúncio ocorre em um contexto de agravamento da crise política e social no Irã. O país enfrenta protestos antigovernamentais que começaram a partir de queixas econômicas, como o colapso da moeda e a alta do custo de vida. Segundo a organização Human Rights Activists (HRANA), ao menos 1.850 manifestantes morreram em mais de duas semanas de protestos, e pelo menos 16.784 pessoas foram presas.
Em meio a esse contexto, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou na terça-feira, acreditar que o regime dos aiatolás esteja vivendo seus momentos finais. “Presumo que agora estejamos testemunhando os últimos dias e semanas desse regime”, declarou. Durante visita à Índia, Merz associou a repressão violenta das forças de segurança à perda de apoio do governo. “Quando um regime só consegue manter o poder por meio da violência, então ele está efetivamente no fim”.
Merz afirmou ainda que a Alemanha mantém contato próximo com os EUA e outros governos europeus sobre a situação no Irã e pediu o fim da repressão aos manifestantes. O chanceler não comentou diretamente os laços comerciais entre Alemanha e Irã, embora o país europeu seja o principal parceiro comercial de Teerã dentro da União Europeia. Dados oficiais mostram que as exportações alemãs para o Irã caíram 25% nos primeiros 11 meses do ano, representando menos de 0,1% do total exportado pela Alemanha.
Trump teve acesso a diferentes opções militares contra o Irã
Nos EUA, autoridades do Departamento de Defesa informaram à CBS News que Trump foi apresentado a diferentes opções militares e ações secretas para um eventual uso no Irã. Entre os cenários avaliados estão ataques com mísseis de longo alcance, operações cibernéticas e campanhas psicológicas, além de medidas para desarticular estruturas de comando e comunicações iranianas. Segundo a Casa Branca, Trump “não tem receio de recorrer a opções militares, se e quando considerar necessário”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país está aberto a negociações com Washington, mas permanece “preparado para a guerra”. Já o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, acusou os EUA de “enganar” o Irã e elogiou manifestações pró-governo organizadas pelo Estado. Ele afirmou que a “nação iraniana é poderosa, está consciente, conhece seus inimigos e está presente em todos os cenários”.
Enquanto isso, Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã e exilado nos EUA, pediu que Trump intervenha “o quanto antes” para reduzir o número de mortes. Em entrevista à CBS News, afirmou que o governo iraniano tenta “enganar o mundo” ao sinalizar disposição para negociar.