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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Dificuldade para produtores

Queda no preço do leite e avanço das importações ameaçam produtores em Goiás

Valor do leite pago ao produtor caiu cerca de 22% em um ano, enquanto custos de produções seguem em alta e levam ao abandono de atividades

João Césarpor João César em 16 de janeiro de 2026
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Produtores chegaram a receber R$ 1,50 por litro de leite em 2025 - Foto: Seagri/DF

 

O leite está sendo pivô de uma crise que coloca em risco a permanência dos produtores no mercado. De acordo com dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), em 12 meses o preço médio pago ao produtor caiu cerca de 22%, recuando de R$ 2,60 para aproximadamente R$ 1,80 por litro.

A queda no preço pago aos produtores, somado ao crescimento das importações, aumento do custo de produção e estagnação do mercado interno têm sido os motivos que muitos produtores relatam para sair do ramo do leite. Além dos produtores, outras partes da cadeia produtiva também sentem o impacto da crise.

O gerente técnico e econômico da Faeg, Edson Novaes, aponta que o principal fator que derrubou os preços do leite produzido em Goiás foi a importação de lácteos, vindos da Argentina e Uruguai. 

 

“Com o aumento da entrada de produtos estrangeiros, muitas vezes a preços inferiores aos praticados no mercado interno, produtores têm registrado queda na renda, inviabilidade econômica e até saída da atividade”, acrescenta. 

 

Outro fator que tem gerado problemas para o produtor é o descompasso entre o custo de produção e o retorno financeiro. Como dito anteriormente, o preço médio pago ao produtor registrou queda de 22%, porém, no mesmo período, o custo de produção apresentou um aumento de 3%. Esse aumento surge principalmente em insumos como ração e suplementos nutricionais, energia elétrica, mão de obra e medicamentos veterinários.

 

Com esse descompasso, os produtores precisam encontrar formas de sair dessa situação. Em alguns casos, a saída tem sido o abate das matrizes e dos novilhos e novilhas.

A somatória de problemas tem causado uma desestruturação da cadeia produtiva do leite, que ocasiona o abandono dos produtores da atividade. O gerente técnico e econômico da Faeg, relata que em 2025 alguns produtores chegaram a receber cerca de R$ 1,50 por litro de leite.

 

Além da perda de arrecadação dos produtores, pequenas agroindústrias que são abastecidas com o leite dessas produções também arrecadam menos. Esse problema cria uma bola de neve na cadeia produtiva e na arrecadação do Estado de Goiás, já que a oferta do leite diminui, as cooperativas e pequenas agroindústrias começam a enfrentar problemas, gerando menos receita e empregando menos pessoas. Nesse caso, o dinheiro que vêm da rede de produção leiteira para de circular dentro do território goiano. 


A médio e longo prazo o abate de matrizes do leite causaram impactos, mas na visão de Novaes, essa é a única saída que os produtores possuem no momento para tentarem pagar as contas. Com isso, os consumidores podem perceber um aumento nos produtos derivados do leite. 

Ações do governo estadual e federal para barrar queda no preço do leite

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Foto: Marcelo Camargo/ABr

Para tentar barrar essa crise, a Faeg, junto do Governo de Goiás, tomaram algumas medidas para diminuir as importações de leite da Argentina e Uruguai. Em 2025, o governo sancionou a Lei nº 23.928/2025, que proibiu a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido em Goiás, retirando benefícios de indústrias que compravam matéria prima fora do País.


Novaes afirma que a medida reduziu 75% das importações de laticínios do Estado. Porém, a medida ainda não foi suficiente para superar a crise, sendo necessário, na visão dele, que outros Estados do Brasil adotem medidas parecidas.


No ano de 2024, o governo federal iniciou um processo de investigação antidumping, para barrar os produtos estrangeiros que entram em território nacional com preços mais baixos que o custo de sua produção. A ação foi protocolada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“O importante agora é o governo Federal aplicar as tarifas provisórias (taxas de importação) antidumping contra o leite importado da Argentina e Uruguai, objetivando reduzir essas importações desleais que tem prejudicado toda a cadeia láctea goiana e brasileira. A curto prazo é a única medida capaz de reverter essa situação de queda significativa de preços aos produtores”, finaliza Novaes.

 

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