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sábado, 17 de janeiro de 2026
OPINIÃO

Maturidade de Michelle contrasta com radicalismo estéril da direita

Até para ficar perto do marido, a ex-primeira-dama será candidata no Distrito Federal e vai consolidar o favoritismo de Celina Leão para governadora e Ibaneis Rocha ao Senado, ao mesmo tempo em que abre o espaço tão desejado pelo enteado Flávio, que tem muito a aprender com ela

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 17 de janeiro de 2026
Michelle
Apesar de seu tamanho político e eleitoral, Michelle vem colecionando exemplos de humildade e altivez, algo que deve ser seguido pelo enteado escolhido para representar o clã nas urnas presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro Foto: Alan Santos/ PR

Durante seu julgamento, no fim de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro convidou o ministro Alexandre de Moraes para vice da chapa que planejava montar no retorno ao Palácio do Planalto. Fazia troça com o algoz. No início do ano seguinte, já cumprindo pena em regime fechado após a condenação encetada por Moraes, outro Bolsonaro conversou com o ministro. Agora, foi a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que conseguiu via intermediários a oportunidade de apresentar ao inimigo os efeitos da cadeia imposta ao marido.

No lugar em que alguns de seus aliados sentiriam cheiro de enxofre, Michelle aspirou o aroma da libertação. Jair não iria para casa agora, mas os 64 metros quadrados do Estado-Maior da Polícia Militar em que passou a ficar são do tamanho de um apartamento da classe média-baixa do Distrito Federal. No mercado, custaria uns R$ 600 mil. Espera-se que um ex-chefe de Estado e de governo, que por menos de 2% não é o atual presidente da República, seja tratado com o respeito e a dignidade que um estadista conquista nas urnas. Assim como num eventual cumprimento de pena de um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, não vai ficar numa espelunca qualquer do sistema carcerário brasileiro, mas num local condizente com sua condição.

Uns preferem xingar, Michelle opta por resolver

Enquanto os demais xingavam, Michelle foi ao cerne da questão e a resolveu. Adiantava pedir para soltá-lo? Não. Para deixá-lo em prisão domiciliar? Também não. A maturidade impressionou, pois a pregadora nos púlpitos e a militante nos palanques apresenta-se radical. Na moldura da salvadora que deseja a sobrevida do marido, apeou do radicalismo a direita que a supunha matriarca da inflexibilidade e a esquerda que posa de dona do feminismo e dos direitos humanos, mas não reconhece a força da mulher liberal nem a carência de atendimento médico a um septuagenário recém-operado diversas vezes.

Esqueça-se o mar de manchetes escandalosas acerca da ida de Jair Bolsonaro para a Papuda, que no imaginário popular é um dos piores lugares do planeta. Bom nunca foi, está na média dos cárceres brasileiros. No entanto, Bolsonaro não é seu habitante, mas vizinho. Depois dos argumentos de Michelle, Moraes o transferiu para um quartel da Polícia Militar do Distrito Federal que antigamente fazia a segurança na penitenciária. Antes de existir o que agora se chama de Polícia Penal, a PM ditava as regras dentro do xadrez. Perdeu o poder na rotina interna, manteve-se necessária nos arredores. Não é mais uma “Papudinha”, trata-se de unidade normal da força de segurança.

Bolsonaristas, podem comemorar: foi ótimo para ele

Ao contrário do que alguns supõem, foi ótimo para a saúde de Bolsonaro. Não que a Polícia Federal seja má anfitriã, inclusive Michelle a parabenizou e agradeceu, só que as acomodações na superintendência são destinadas à burocracia de um órgão público, nenhuma verossimilhança com algo suportável para um idoso permanecer 24 horas por dia, 12 meses por ano, por meia década ou mais, a depender do julgador. Sob os auspícios da PM, ficou excelente para o casal Bolsonaro e maravilhoso para seus aliados na política do Distrito Federal.

Os gabinetes do ódio mantidos por núcleos da esquerda podem ironizar e zombar como quiserem, porém Michelle não é uma “cunhada”, apelido de mulher de presidiário. É a maior liderança evangélica do Brasil. Chega a ficar empatada nas pesquisas com Luiz Inácio Lula da Silva. Portanto, não se pode sequer piscar que ela vira presidente da República. Seria também decisiva como vice de alguém como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, outro que se iguala a Lula em determinados levantamentos. Apesar de seu tamanho político e eleitoral, Michelle vem colecionando exemplos de humildade e altivez, algo que deve ser seguido pelo enteado escolhido para representar o clã nas urnas presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Dos aliados aos religiosos, as conquistas da ex-primeira-dama

Ninguém está mais contente do que os componentes da direita do Distrito Federal (leia coluna Xadrez, pág. 2). O ideal para ela seria a candidatura de Jair Bolsonaro a presidente, com Celina Leão (PP) a governadora e a dupla ao Senado, Michelle e Ibaneis Rocha (MDB). Na impossibilidade de Jair, vai de Flávio e o restante da chapa. A permanência de Michelle em Brasília significou um iceberg atirado no Titanic dos adversários e, ao mesmo tempo, ficou na medida para a família do ex-presidente. Se a esposa estivesse no embate nacional, na cabeça ou de vice, sua agenda obedeceria à estratégia da campanha, com agenda de Macapá (AP) a Uruguaiana (RS), de João Pessoa (PB) a Cruzeiro do Sul (AC). A atenção com Brasília corresponderia a seu eleitorado, um dia por mês – se tanto, porque ali seria favorita e teria de se dedicar aos socavões do País e às regiões metropolitanas com índices ruins.

Sendo candidata ao Senado pelo DF, já está na liderança e as expectativas são de que continue. Como é funcionária do PL e presidente nacional do PL Mulher, talvez tenha de viajar para um ou outro Estado para um SOS aos candidatos em apuros com os baixos índices, mas a regra será a proximidade com o marido. Pode vê-lo todos os dias, o que não deixa de ser boa notícia, pois está entre as raras visitas autorizadas previamente, sem análise do ministro Alexandre de Moraes. Já que está lá mesmo, que tal ouvir o ex-presidente sobre a candidatura em Santa Catarina? Poucas horas depois olha lá a Michelle de volta com a resposta. Tem três pré-candidatos para duas vagas ao Senado por Goiás, peça a Bolsonaro que nos auxilie. No mesmo dia, o i22, versão eleitoral do i99, aparece com a solução.

Tem sido de tal maneira útil a participação de Michelle que acertou sabiamente até na escolha do líder religioso para aconselhar espiritualmente o marido. O pastor Robson Rodovalho, goiano de Anápolis que começou a carreira de empreendedor na área de igreja em sociedade com César Augusto, é querido por milhares de fiéis. Ao levá-lo para conversar com Jair, é como se realizasse a aspiração de centenas de chefes de templos no Distrito Federal, como no País inteiro. Independentemente de denominação, adeptos do cristianismo de modo geral ficam satisfeitos quando acompanham alguém com quem se identificam no campo da religião.

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