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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Em Brasília

Depois de 240 km, ato de Nikolas acaba interrompido por chuva, raios e feridos

Ato pró-Bolsonaro que saiu de Paracatu (MG) terminou de forma abrupta no Distrito Federal, sob forte chuva, descargas elétricas, feridos e e evacuação da área feita pela Polícia Federal

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 26 de janeiro de 2026
Depois de 240 km, ato de Nikolas acaba interrompido por chuva, raios e feridos
Um raio atingiu as proximidades do local onde ocorreria o encerramento do ato. Foto: Reproduçao/Redes Sociais

Bruno Goulart

A caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que saiu de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, com destino a Brasília, chegou ao fim neste domingo (25) sem o desfecho planejado. Após seis dias na estrada e 240 quilômetros percorridos pela BR-040, a manifestação foi interrompida na região da Praça do Cruzeiro devido às fortes chuvas que atingiram o Distrito Federal, acompanhadas de raios e descargas elétricas. Diante do risco à integridade dos participantes, a Polícia Federal determinou a evacuação imediata da área.

Além disso, um raio atingiu as proximidades do local onde ocorreria o encerramento do ato, agravando a situação. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, 33 pessoas precisaram de atendimento médico, sendo encaminhadas ao Hospital de Base e ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Até o meio da tarde, 35 vítimas estavam internadas, todas em estado estável. Cinco pacientes apresentaram quadros que exigiram maiores cuidados, mas nenhum óbito foi registrado. A corrente elétrica, conforme apuração inicial, teria descido por um guindaste instalado próximo ao local, atingindo pessoas que estavam nas imediações.

Enquanto isso, a capital federal enfrentava alagamentos em diversas vias desde o fim da manhã, o que reforçou o clima de insegurança e precipitou o encerramento do protesto. O ato, que reunia apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e parlamentares aliados, tinha como objetivo criticar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas às condenações pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Leia mais: Nikolas acompanhou vítimas hospitalizadas após acidente climático em Brasília

Nikolas Ferreira afirmou que a mobilização buscava “despertar as pessoas e abrir seus olhos para o que está acontecendo no país”. O deputado também destacou que o protesto tinha caráter simbólico, especialmente em defesa de Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 e atualmente preso no Complexo da Papuda, em Brasília.

Ao mesmo tempo, a manifestação ocorreu sob grande aparato policial. O entorno do Palácio do Planalto teve a segurança reforçada com grades, e o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a retirada de acampamentos instalados nas proximidades da Papuda. A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que alertou para o risco de repetição de práticas observadas no período pós-eleitoral de 2022. “A tentativa de golpe do dia 8 de janeiro teve como um dos fatores principais a omissão de diversas autoridades públicas, que permitiram acampamentos ilegais”, afirmou Moraes em sua decisão.

Participaram do ato nomes conhecidos da direita bolsonarista em Goiás, como o presidente estadual do PL, senador Wilder Morais, o deputado federal Gustavo Gayer, o estadual, Amauri Ribeiro, o ex-deputado estadual, Fred Rodrigues, os vereadores por Goiânia Major Vitor Hugo e Coronel Urzêda, todos do PL. O vereador Sanches da Federal (PP) também marcou presença.

Ideia de impunidade

Na avaliação de especialistas, o impacto político do movimento tende a ser mais simbólico do que prático. Para o sociólogo e pesquisador Jones Matos, em entrevista ao jornal O HOJE, há uma contradição central na proposta do ato. “Esse tipo de movimento visa à defesa de pessoas condenadas pela Justiça brasileira, após amplo direito de defesa. Ele não contribui para a democracia, mas para a ideia de impunidade”, afirmou. Segundo ele, os crimes atribuídos aos envolvidos, incluindo Bolsonaro, “são crimes contra a democracia e a condenação tem caráter pedagógico”.

Jones Matos avalia ainda que a caminhada cumpriu mais uma função interna do que institucional. “Esse evento tem muito mais caráter político, para manter o grupo da extrema direita coeso, do que qualquer efeito prático, como a soltura dos condenados do 8 de Janeiro”, concluiu.

Assim, a jornada que começou como demonstração de força política terminou marcada por fatores climáticos extremos, atuação das forças de segurança e questionamentos sobre sua efetividade. O fim abrupto da caminhada simboliza, para além da chuva e dos raios, os obstáculos enfrentados por mobilizações que confrontam diretamente decisões judiciais e o atual equilíbrio entre os Poderes.

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