Minnesota chama exigência do governo Trump de “tentativa de coação”
Justiça dos EUA exige dados eleitorais de Minnesota e vincula saída de agentes do ICE à cooperação em meio a protestos
A crise em Minneapolis colocou o governo de Minnesota em confronto com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) após uma exigência federal envolvendo dados de eleitores. Autoridades estaduais afirmam que o recuo de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na cidade foi condicionado ao compartilhamento dessas informações, em meio a uma sequência de protestos, confrontos nas ruas e duas mortes registradas em janeiro durante operações federais.
A solicitação consta em carta enviada no sábado (24) pela procuradora-geral Pam Bondi ao governador Tim Walz. O documento apresenta três exigências ao estado. Uma delas pede que a Divisão de Direitos Civis do DOJ tenha acesso às listas de eleitores de Minnesota. A resposta oficial veio pelo secretário de Estado, Steve Simon, que recusou o pedido.
“A resposta à solicitação da Procuradora-Geral Bondi é não. Sua carta é uma tentativa ultrajante de coagir Minnesota a fornecer ao governo federal dados privados de milhões de cidadãos americanos, em violação à lei estadual e federal. […] As eleições de Minnesota são justas, precisas, honestas e seguras”, afirmou Simon.

Exigências para “pôr fim ao caos em Minnesota”
Além das listas eleitorais, o orgão solicitou o compartilhamento de registros de cidadãos inscritos em programas como Medicaid e Alimentação e Nutrição, a revogação de políticas locais de proteção a imigrantes e a permissão para que o ICE entreviste pessoas presas a fim de determinar o status migratório e, se necessário, deportá-las. Na carta, Bondi acusou a gestão estadual de “se recusar a fazer cumprir a lei” e afirmou que as medidas seriam necessárias para “restaurar o Estado de direito e pôr fim ao caos em Minnesota”.
As tensões se intensificaram durante operações federais realizadas desde dezembro em Minneapolis e Saint Paul, cidades vizinhas conhecidas como “Cidades-Irmãs”. Segundo o Departamento de Segurança Interna, a mobilização tem foco em imigração. A presença ampliada de agentes gerou reação de moradores, com manifestações frequentes e confrontos com o ICE.
Dois episódios marcaram a escalada, em 7 de janeiro, Renee Good foi morta a tiros por um agente durante uma abordagem e no sábado, o enfermeiro Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, também morreu durante uma operação.
Após a morte de Pretti, Bondi exibiu a carta durante entrevista à Fox News e a descreveu como “uma carta com linguagem muito forte”. Ela também acusou autoridades de Minnesota de proteger criminosos. Questionada sobre possíveis consequências caso o estado não atendesse às exigências, respondeu: “veremos sua resposta, esta é uma situação fluida”.
Trump fala sobre retirada do ICE em Minneapolis
Enquanto o Departamento de Justiça pressionava o governo estadual, o presidente Donald Trump abordou a presença dos agentes federais na cidade. Trump declarou ao Wall Street Journal, no domingo (25), que está aberto à retirada dos agentes em Minneapolis, mas não indicou prazo. “Em algum momento, nós iremos embora. Já fizemos isso, eles fizeram um trabalho fenomenal”, afirmou. Ele disse ainda que o governo pretende manter no estado equipes dedicadas ao combate a fraudes financeiras.
Trump associou a intensificação das ações a um suposto “escândalo generalizado” de fraude em programas de assistência social envolvendo comunidades de imigrantes somalis. “É a maior fraude que já vimos”, declarou, acrescentando que situações semelhantes podem ser “muito maiores” na Califórnia. Ao comentar a morte de Pretti, o líder evitou afirmar se a ação do agente foi correta. “Estamos analisando tudo e avaliando, e tomaremos uma decisão sobre isso”.