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sábado, 31 de janeiro de 2026
OPINIÃO

Se o BC nada sabia do Master, mais bancos vão quebrar?

Vorcaro, que nem era um dos grandões, enrolou os órgãos de controle durante anos. E os graúdos, estão saudáveis ou o Banco Central, a CVM e o TCU têm sobre eles o mesmo nível de alheamento beneficiador do patrão de ministros?

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 31 de janeiro de 2026
Master
A desfaçatez de algumas autoridades após o escândalo do Banco Master leva a uma dúvida aterradora: as demais 111 instituições filiadas à Federação Brasileira da categoria, a Febraban, estão realmente com saúde financeira? Foto: Rovena Rosa /ABr

A desfaçatez de algumas autoridades após o escândalo do Banco Master leva a uma dúvida aterradora: as demais 111 instituições filiadas à Federação Brasileira da categoria, a Febraban, estão realmente com saúde financeira? É impossível à clientela ter essa resposta se os órgãos de controle demonstram saber muito pouco ou quase nada da situação dos balancetes. Em tese, o Banco Central do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários e, a novidade na área, o Tribunal de Contas da União, são os olhos da clientela diante dos dados que ali aparecem a cada expediente. Pelo que houve nas empresas de Daniel Vorcaro, são órgãos que trabalham de olhos bem fechados.

O público vai ter de acreditar nas informações dos 10 maiores bancos, que não param de crescer. O Itaú Unibanco, que em 2025 passou de R$ 3 trilhões em ativos, teve rentabilidade de 23,3%. Quem garante isso? Qualquer um, como qualquer poderia ter garantido o Master – e aqui não vai nenhum juízo de valor ou comparação entre os dois bancos. Observe-se que a lista se fecha sem citar o Master: 2º) Banco do Brasil, R$ 2,43 trilhões; 3º) Bradesco, R$ 2,05 trilhões; 4º) Caixa Econômica Federal, R$ 2,03 trilhões; 5º) Santander, R$ 1,34 trilhões. Os demais são pobretões na faixa do bilhão. Quem pode comprovar isso? Apenas o sistema, no qual todos botavam fé que botavam fé também ao validar o Master.

Pode crer: Itaú tem 3 tri e Master, 4 mi. Pode crer mesmo?

Os cinco trilionários em ativos, cremos todos os crédulos, gozam de liquidez absurdamente maior que o Master, que quando foi liquidado, no último 18 de novembro, tinha míseros R$ 4 milhões no caixa – 3 tri do Itaú contra 4 mi do Master e nenhuma autoridade monetária divulgou isso antes desta sexta-feira (30), quando foi revelado o depoimento de Aílton Aquino, diretor de Fiscalização do BC à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, no apagar das luzes escuras de 2025. Por que Aquino não disse isso quando os investidores estavam aplicando suas economias nas promessas faraônicas do Master? Ou disse e seus chefes não espalharam?

Se a Diretoria de Fiscalização e outras instâncias internas do BC tiverem com os demais bancos a mesma leniência aplicada na barca de Vorcaro, haveria o que mais esperando os leigos? Além da empresa-base, havia também a Master Corretora, o Master de Investimento e o Letsbank, que foram liquidados junto.

No século XV, Colombo atravessou o Atlântico em 33 dias, já o BC levou 33 dias para descobrir que o Will é do Master

Mas ainda faltava a joia da coroa furtada, o Will Bank, focado em clientes de baixa renda, a começar dos jovens. Foi uma pedrada nos miolos do Brasil quando em cada dos 33 dias que o BC demorou para fechar o Will. Será que os técnicos dos órgãos de controle não se atentaram que era furo de dique de dinheiro que se arromba em questão de segundos? Em 33 dias na China se ergue um prédio de 50 andares, 33 dias foi o mandato do Papa João Paulo I, ainda com os recursos tecnológicos do século 15, Cristóvão Colombo atravessou o Atlântico para descobrir as Américas, e a equipe do Banco Central levou 33 dias para descobrir o que até um idiota com 33 dias de estudo de finanças teria visto antes: que a fruta podre não cai longe da árvore envenenada, o Will deveria ter sido liquidado junto com o Master, uns 33 anos atrás, quando ainda se chamava Máxima.

Se esse tanto de técnico gabaritado dessas siglas imponentes instaladas em prédios supermodernos (BC, CVM, MPF, PF, STF, TCU) não conseguiram detectar ou impedir os rolos do grupo Master, como exigir que o governador Ibaneis Rocha, advogado que nunca militou na área de economia, tivesse conhecimento das maracutaias? E muito menos sua vice, Celina Leão, o presidente Luiz Inácio da Silva e seu antecessor, Jair Bolsonaro. Xinga-se bastante nas mídias um grupo de ministros, sobretudo dois do Judiciário (Alexandre de Moraes e Dias Toffoli) e dois do Executivo (Guido Mantega e Ricardo Lewandowski), que tiveram algum grau de envolvimento com o banco de Vorcaro. Nenhum deles teria como saber das encrencas. É uma forma de desviar o foco de rostos menos conhecidos, como só agora se viu o diretor de Fiscalização do BC. É só seguir o rastro do dinheiro. 

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