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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
risco cardíaco

Dormir tarde está associado a pior saúde cardiovascular

Análise com mais de 300 mil adultos aponta maior risco cardíaco entre pessoas de perfil noturno, especialmente mulheres

Luana Avelarpor Luana Avelar em 2 de fevereiro de 2026
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Foto: Divulgação

O horário habitual de dormir, muitas vezes tratado como preferência individual ou traço de personalidade, tem implicações sobre a saúde do coração. Uma análise baseada em dados de mais de 300 mil adultos indica que pessoas com rotina noturna apresentam piores indicadores cardiovasculares ao longo do tempo, quando comparadas àquelas que dormem e acordam mais cedo.

Os dados foram extraídos do UK Biobank, base britânica que reúne informações clínicas, comportamentais e genéticas de centenas de milhares de voluntários. A idade média dos participantes era de 57 anos no início do acompanhamento, que se estendeu por cerca de 14 anos.

A pesquisa organizou os indivíduos de acordo com o cronotipo, classificação que reflete a tendência biológica para determinados horários de sono e vigília. Cerca de 8% dos participantes se identificaram como noturnos, grupo caracterizado por dormir de madrugada e manter maior nível de atividade no fim do dia. Quase um quarto foi classificado como matinal, com o hábito de acordar cedo e encerrar as atividades ainda no início da noite. A maioria, aproximadamente 67%, foi enquadrada como intermediária, sem preferência clara.

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Foto: iStock

A avaliação da saúde cardiovascular considerou múltiplos fatores. Foram analisados padrão alimentar, prática de atividade física, consumo de tabaco, qualidade e regularidade do sono, além de medidas clínicas como peso corporal, colesterol, níveis de glicose no sangue e pressão arterial. Esses elementos foram combinados em uma pontuação global que permite estimar o risco cardiovascular.

Na comparação com o grupo intermediário, os participantes de perfil noturno apresentaram probabilidade substancialmente maior de alcançar pontuações consideradas ruins. O risco de desempenho cardiovascular desfavorável foi cerca de 79% mais alto nesse grupo. Ao longo do período de acompanhamento, também se observou maior incidência de eventos graves, como infarto e acidente vascular cerebral.

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Foto: iStock

A diferença foi mais acentuada entre mulheres. Entre elas, o cronotipo noturno esteve associado a indicadores cardiovasculares piores do que os observados entre homens com o mesmo padrão de sono, o que sugere maior sensibilidade feminina aos efeitos do desalinhamento do ritmo biológico.

Parte desse resultado está relacionada à maior frequência de comportamentos prejudiciais à saúde entre pessoas que dormem tarde. O grupo noturno apresentou maior prevalência de tabagismo, sono irregular e padrões alimentares de pior qualidade. Esses fatores contribuem para o desalinhamento circadiano, situação em que o relógio biológico interno deixa de acompanhar tanto o ciclo natural de luz e escuridão quanto os horários sociais de trabalho e descanso.

Esse descompasso interfere em processos fisiológicos fundamentais, como a regulação hormonal, o metabolismo da glicose e o controle da pressão arterial. A exposição prolongada a esse padrão aumenta, ao longo dos anos, a probabilidade de doenças cardiovasculares.

Entre os participantes classificados como matinais, os resultados foram mais favoráveis. Esse grupo apresentou menor chance de registrar pontuações baixas de saúde do coração em relação aos demais, ainda que a diferença observada tenha sido modesta.

Os resultados não apontam determinismo. Parte relevante do pior desempenho cardiovascular entre pessoas de perfil noturno está associada a fatores modificáveis, como sono irregular e tabagismo, o que indica possibilidade de redução do risco com mudanças de hábito.

O estudo tem limitações. A amostra é majoritariamente branca e mais saudável do que a média da população, e o cronotipo foi definido por autodeclaração em um único momento.

Ainda assim, os dados sustentam a associação entre dormir tarde de forma recorrente e piores desfechos cardiovasculares ao longo do envelhecimento. 

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