Exposição amorosa perde força entre jovens da Geração Z
O levantamento aponta que 59% dos integrantes da Geração Z demonstram interesse em relacionamentos abertos ou poliamoroso
O Ashley Madison identificou a Geração Z como o grupo com maior tendência a aderir à plataforma de relacionamentos extraconjugais, mesmo entre jovens que nunca se casaram. O comportamento reforça uma mudança no modo como os mais jovens encaram vínculos afetivos, com maior abertura para modelos não monogâmicos.
Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada em parceria com o YouGov, que ouviu pessoas entre 18 e 29 anos em dez países, além de usuários da própria plataforma. No Brasil, 62% dos entrevistados afirmaram que considerariam viver um relacionamento não monogâmico.
O levantamento aponta que 59% dos integrantes da Geração Z demonstram interesse em relacionamentos abertos ou poliamorosos. Entre os principais motivos citados estão a busca por experiências sexuais e afetivas mais satisfatórias, maior aceitação de diferentes formas de relacionamento e liberdade para expressar desejos pessoais.
Segundo o estudo, mais de 1,8 milhão de jovens dessa faixa etária se cadastraram no Ashley Madison em 2022. Desse total, mais de 240 mil eram brasileiros.
A diretora sênior de comunicações da plataforma, Isabella Mise, afirma que a Geração Z apresenta uma visão diferente sobre amor, privacidade e compromisso. “Este relatório busca entender como esses jovens lidam com relacionamentos e como enxergam acordos afetivos mais flexíveis”, destacou.
A pesquisa também revelou diferenças entre homens e mulheres. Para 51% dos entrevistados, uma das principais razões para buscar múltiplos parceiros é a percepção de que uma única pessoa não seria capaz de atender todas as necessidades sexuais.
Entre as mulheres, 21% disseram acreditar que não conseguem ser felizes em relações monogâmicas, índice superior ao registrado entre os homens, de 15%. O levantamento ainda aponta que as mulheres entrevistadas demonstraram maior tendência a experiências sexuais consideradas mais exploratórias, incluindo relacionamentos com pessoas do mesmo sexo e experiências com múltiplos parceiros.
A terapeuta e autora Tammy Nelson avalia que mulheres em relações não monogâmicas ainda enfrentam julgamentos sociais mais severos do que os homens. Para ela, o aumento das discussões sobre modelos afetivos flexíveis pode ampliar a liberdade para que mais pessoas expressem suas preferências sem receio de estigmas sociais.
Mesmo conhecida pelo alto nível de exposição nas redes sociais, a Geração Z demonstra preferência pela discrição quando o assunto é vida amorosa. A pesquisa revela que a maioria dos jovens evita compartilhar publicamente detalhes sobre relacionamentos afetivos.
Segundo o levantamento, 68% das mulheres e 65% dos homens entrevistados afirmaram que normalmente não anunciam nas redes sociais quando estão em um relacionamento. Para 62% dos participantes, esse tipo de exposição simplesmente não é necessário. Outros 59% consideram que a vida amorosa não diz respeito a outras pessoas.
Entre os jovens que optam por tornar o relacionamento público, a maioria prefere fazer isso de forma gradual. Cerca de 81% disseram adotar uma abordagem mais discreta, conhecida como “revelação suave”, marcada pela publicação sutil e progressiva de conteúdos ao lado do parceiro.
No Brasil, os integrantes da Geração Z aparecem entre os que mais associam a divulgação do relacionamento à necessidade de oferecer segurança emocional ao companheiro. Em contrapartida, os brasileiros ficaram na última posição entre os países analisados quando o assunto é enxergar o relacionamento como símbolo de conquista pessoal ou status social.
A pesquisa também mostra que a privacidade continua sendo valorizada pela geração mais jovem. Aproximadamente 64% dos entrevistados brasileiros afirmaram que a vida sexual deve permanecer em sigilo.
Para os pesquisadores, os resultados evidenciam o perfil contraditório da Geração Z, que ao mesmo tempo em que cresce conectada e habituada à exposição digital, também busca estabelecer limites entre a vida pública e a intimidade.