O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Fatores biológicos e sociais

Qualidade do sono é pior entre mulheres brasileiras

Levantamento do Ministério da Saúde mostra que mulheres dormem menos e relatam mais insônia do que homens em quase todo o país

Luana Avelarpor Luana Avelar em 3 de fevereiro de 2026
sono
Foto: iStock

A qualidade do sono das mulheres brasileiras é inferior à dos homens, segundo dados divulgados pelo Vigitel 2025, pesquisa do Ministério da Saúde que passou a incluir, pela primeira vez, indicadores específicos sobre descanso noturno. O levantamento aponta que a privação de sono e os sintomas de insônia atingem de forma mais intensa o público feminino, com reflexos diretos sobre a saúde física e mental.

De acordo com o inquérito, 21,3% das mulheres dormem menos de seis horas por noite, enquanto entre os homens o índice é de 18,9%. A diferença aparece também nos relatos de insônia: mais de um terço das mulheres afirma ter dificuldades frequentes para iniciar ou manter o sono, percentual dez pontos acima do registrado entre os homens.

Sono insuficiente se repete nas capitais

A desigualdade no sono se mantém no recorte regional. Em 18 capitais brasileiras e no Distrito Federal, a proporção de mulheres com duração curta de sono é superior à masculina. Em nenhuma localidade o índice entre homens supera o das mulheres, o que reforça um padrão nacional de pior qualidade de descanso feminino.

Capitais como Maceió, Salvador e Rio de Janeiro concentram os maiores percentuais de mulheres que dormem menos de seis horas por noite. Já Belo Horizonte, Campo Grande e Curitiba apresentam os menores índices, embora ainda relevantes do ponto de vista da saúde pública.

Insônia afeta mais mulheres

Além da duração reduzida do sono, os sintomas de insônia são mais frequentes entre mulheres em todas as regiões avaliadas. O Vigitel identificou que 36,2% delas relatam dificuldade para dormir, acordar durante a noite ou despertar antes do horário desejado, contra 26,2% dos homens.

A insônia, quando persistente, está associada a prejuízos cognitivos, irritabilidade, queda de atenção e maior risco de doenças crônicas. A falta de sono adequado também interfere na regulação metabólica, no controle do peso e na saúde cardiovascular.

Fatores biológicos e sociais explicam diferença

Especialistas avaliam que a pior qualidade do sono entre mulheres resulta da combinação de fatores hormonais e sociais. Oscilações hormonais ao longo da vida reprodutiva, gestação, amamentação e climatério interferem na arquitetura do sono, aumentando a propensão a interrupções noturnas.

Além disso, a sobrecarga cotidiana, marcada pela dupla ou tripla jornada de trabalho, contribui para a redução do tempo de descanso e para o aumento do estresse, dificultando a recuperação adequada durante a noite.

Sono entra no radar da saúde pública

A inclusão do sono no Vigitel amplia o entendimento sobre os determinantes das doenças crônicas no Brasil. Até então, fatores como alimentação, atividade física, tabagismo e consumo de álcool eram os principais focos do monitoramento.

Os dados indicam que políticas de promoção da saúde precisam considerar o sono como eixo central, especialmente entre mulheres, para reduzir riscos de hipertensão, diabetes, obesidade e transtornos mentais.

Ao mapear a desigualdade no sono, o levantamento reforça que melhorar a qualidade de vida da população passa não apenas por mudanças individuais de hábito, mas também por transformações estruturais nas condições de trabalho, cuidado e organização social.

Leia também: https://ohoje.com/2026/02/02/dormir-tarde-saude-cardiovascular/

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também