Trump publica vídeo com Obama retratado como macaco e gera reação de aliados e opositores
Conteúdo compartilhado na Truth Social repete teorias falsas sobre fraude eleitoral e é classificado como racista por líderes democratas e republicanos
Nesta quinta-feira (5), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede social, a Truth Social, um vídeo que retrata o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. A publicação gerou forte repercussão e foi duramente criticada por líderes do Partido Democrata e também por integrantes do Partido Republicano.
Com cerca de um minuto de duração, o vídeo termina com uma teoria da conspiração sobre as eleições americanas. Em um trecho de aproximadamente um segundo, os rostos de Barack e Michelle Obama aparecem sobrepostos a corpos de macacos, ao som da música The Lion Sleeps Tonight. O casal não tem qualquer relação com as acusações apresentadas na gravação.
A publicação repete alegações falsas de que a empresa Dominion Voting Systems teria ajudado a fraudar a eleição presidencial de 2020, vencida por Joe Biden.
O gabinete do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, classificou o conteúdo como “comportamento repugnante” e pediu que republicanos se posicionem contra o episódio. Já o senador Tim Scott, único parlamentar negro do Partido Republicano no Senado, afirmou que se trata de “a coisa mais racista” já publicada por um ocupante da Casa Branca.
Em resposta às críticas, a Casa Branca divulgou um comunicado rebatendo o que chamou de “indignação falsa”. A secretária de Imprensa, Karoline Leavitt, afirmou á agencia AFP que o vídeo seria apenas um “meme da internet”, retratando Trump como o “Rei da Selva” e os democratas como personagens do filme O Rei Leão. Apesar das críticas, a publicação acumulou milhares de curtidas nas primeiras horas desta sexta-feira.

Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também condenou o vídeo. Em publicação na rede social X, afirmou que Trump e seus apoiadores “serão lembrados como uma mancha na história”, enquanto os Obamas permanecerão como figuras queridas pelos americanos.
Barack Obama é o único presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou a democrata Kamala Harris na disputa presidencial de 2024 contra Trump.
Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem intensificado o uso de imagens e vídeos produzidos com Inteligência Artificial (IA) para exaltar sua própria imagem e ridicularizar seus adversários políticos. No ano passado, o presidente compartilhou um vídeo que mostrava Obama sendo preso no Salão Oval e aparecendo atrás das grades com uniforme de detento. Meses depois, publicou um clipe que retratava o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, com bigode falso e chapéu. Jeffries classificou o material como racista.
Agenda de Trump contra políticas de diversidade
Desde o retorno à Casa Branca, Trump também tem sido criticado por conduzir uma agenda contrária às políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Uma das primeiras medidas de seu novo governo foi encerrar programas federais voltados à diversidade, incluindo iniciativas dentro das Forças Armadas.
A ofensiva contra o que o presidente chama de políticas woke resultou ainda na retirada de dezenas de livros das bibliotecas de academias militares, muitos deles sobre a história da discriminação racial nos Estados Unidos.
Os programas federais de combate à discriminação surgiram a partir do movimento pelos direitos civis, liderado majoritariamente por afro-americanos na década de 1960, em resposta a séculos de escravidão e às formas institucionais de racismo que persistiram após sua abolição em 1865.
Leia também: Tratado nuclear entre EUA e Rússia pode ser extendido