Arquivos Epstein abalam Parlamento britânico
Documentos ligados a Epstein geram renúncias e investigação policial no Reino Unido
A divulgação de documentos ligados a Jeffrey Epstein provocou uma sequência de desdobramentos políticos no Reino Unido e ampliou tensões no Parlamento britânico. As revelações atingiram diretamente o governo do primeiro-ministro Keir Starmer e resultaram em renúncias, investigações e divisões internas no Partido Trabalhista.
Starmer foi pressionado a deixar o cargo depois que vieram a público ligações entre Epstein e Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido em Washington e nome indicado pelo próprio primeiro-ministro. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos apontam que Mandelson recebeu dinheiro do empresário e teria vazado informações sigilosas do governo britânico.
Diante do avanço da crise, Starmer negou qualquer possibilidade de renúncia na terça-feira (10). “Jamais abandonarei o mandato que me foi confiado para mudar este país”, afirmou. Apesar da declaração, o episódio agravou a instabilidade no Parlamento, onde o Partido Trabalhista enfrenta divisões: parte da legenda defende a renúncia do premiê, enquanto outra ala mantém apoio à sua permanência.

Arquivos Epstein intensifica críticas a Starmer
O caso ocorre em um momento de fragilidade do governo, já que a popularidade de Starmer está em torno de 18%. O impacto dos arquivos Epstein intensificou críticas à liderança do premiê e à escolha de seus principais auxiliares.
A crise ganhou força no fim de semana, quando o chefe de gabinete, Morgan McSweeney, renunciou no domingo (8). Ele havia sugerido o nome de Mandelson. No dia seguinte, segunda-feira (9), o diretor de Comunicação, Tim Allan, também deixou o cargo. O próprio Mandelson renunciou à função que exercia no Parlamento.

Ainda, as repercussões alcançaram a família real, ampliando a pressão institucional. O ex-príncipe Andrew passou a ser investigado por suspeita de repasse de informações sigilosas a Epstein. Um porta-voz do príncipe William e da princesa Kate declarou que eles estão “profundamente preocupados” com as vítimas, enquanto o Palácio de Buckingham afirmou estar pronto para colaborar com a polícia.