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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
JEFFREY EPSTEIN

Congresso dos EUA cobra transparência nos Arquivos Epstein

Republicanos e democratas acusam o governo de manter censura excessiva e dificultar o acesso aos arquivos Epstein

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 10 de fevereiro de 2026
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Foto: Martin Falbisoner/ Wikimedia Commons

A pressão sobre o governo de Donald Trump aumentou no Congresso dos Estados Unidos após deputados de ambos os partidos denunciarem restrições e censura no acesso aos arquivos do caso Jeffrey Epstein. As críticas surgiram depois que parlamentares visitaram a sede do Departamento de Justiça, em Washington D.C., para consultar documentos que, apesar de classificados como versões com menos tarjas, ainda apresentariam cortes considerados excessivos.

O acesso presencial foi autorizado em meio à crise política desencadeada pela divulgação de milhões de arquivos ligados ao empresário, acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de menores. Epstein morreu na prisão em 2019, episódio classificado como suicídio, e a condução do caso voltou ao centro do debate após o Departamento de Justiça dos EUA tornar públicos cerca de três milhões de documentos sobre o caso.

Pedido por versões sem tarjas

Mesmo com a liberação, deputados relataram frustração. Republicanos e democratas, afirmaram que o material disponibilizado aos congressistas ainda impedia a compreensão integral do caso. As críticas se concentraram tanto no volume de informações censuradas quanto nas condições impostas para a consulta.

As reclamações resultaram em uma petição assinada por 217 deputados, que pede acesso às versões sem tarjas. Na segunda-feira (9), Thomas Massie (republicano) e Ro Khanna (democrata) afirmaram que documentos continuavam sendo filtrados pelo FBI e por tribunais antes de chegarem ao Departamento de Justiça, contrariando exigências legais. “Nossa maior preocupação é que ainda há muita coisa tarjada, mesmo no que estamos vendo. Estamos vendo versões com tarjas. (…) Continuamos fazendo buscas pelas informações sem tarjas, (…) porque a nossa lei diz que os documentos do FBI e do grande júri original precisam estar sem tarjas”, declarou Khanna.

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Foto: Reprodução/ @RepThomasMassie

Cúmplices de Jeffrey Epstein

Além das críticas à censura, parlamentares questionaram a narrativa oficial sobre a extensão da rede criminosa. Para eles, a ideia de que apenas uma cúmplice teria sido responsabilizada até agora não se sustenta diante da dimensão do esquema. “Com mais de 1.000 vítimas, não há como ter existido apenas um cúmplice. Todos os envolvidos precisam ser responsabilizados com o máximo rigor da lei — e o mesmo vale para as pessoas que acobertaram tudo isso”, disse Nancy Mace (republicana) na terça-feira (10). Mace em outro momento ainda afirmou: “Não ficaremos em silêncio sobre o que descobrirmos. Tudo virá à tona. Apertem os cintos. O acerto de contas começa agora”.

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Foto: Reprodução/ @RepThomasMassie

Jamie Raskin (democrata) também atacou a estrutura oferecida para a consulta, afirmando que o Departamento de Justiça disponibilizou apenas quatro computadores em um escritório satélite. “O Departamento de Justiça está fornecendo aos membros do Congresso apenas quatro computadores em um escritório satélite para que leiam o Arquivo Epstein, sem cortes, com mais de 3 milhões de documentos”, afirmou na rede X.

“Trabalhando 40 horas por semana exclusivamente para isso, levaria mais de sete anos para que os 217 membros que assinaram a petição de desobstrução da Câmara lessem apenas os documentos que decidiram liberar (e ainda há 3 milhões de documentos retidos). É assim que se parece uma tentativa de encobrimento”, completou o deputado.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou milhões de documentos ligados às investigações contra Jeffrey Epstein. O material, disponível no site oficial, reúne páginas, imagens e vídeos ligados às acusações contra Epstein e ainda cita diversas figuras públicas.

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