Governador eleito será Daniel, Marconi ou Wilder. Ainda bem
Vanderlan esperneia como se houvesse uma chapa sendo montada para um novo grupo a surrar nas urnas as siglas já estabelecidas, mas os candidatos são esses aí e com eles que Goiás vai – e essa notícia não é necessariamente ruim
Óbvio, o próximo chefe do Executivo estadual será Daniel Vilela (MDB), pois é o vice e vai substituir Ronaldo Caiado (PSD) a partir do fim de março. O eleito em outubro está num triunvirato que inclui, além de Daniel, o senador Wilder Morais (PL) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Pode ser alguém do PT? Pode, mas dentro das expectativas, nada de outsider. Nos bastidores, algumas turmas sugerem que haveria espaço para uma via extraordinária. Não há. E isso é bom. Qualquer deles eleito será capaz de ao menos se esforçar para repetir a aprovação de Caiado.
A única vez, em 300 anos de História de Goiás, que alguém absolutamente fora do eixo se elegeu governador foi Marconi em 1998. Ainda assim, nem foi tão grande a surpresa, pois o ciclo do MDB estava se encerrando e o então senador Iris Rezende impediu a candidatura à reeleição do favoritaço Maguito Vilela. Da série de eleitos diretamente, a partir de 1982, apenas Iris e Henrique Santillo haviam tido alguma experiência como gestores, ainda assim por menos de três anos como prefeitos de Goiânia e Anápolis. Os demais nunca haviam administrado a máquina pública – e isso em nada os prejudicou.
A vitória do vote nos 3
O senador Vanderlan Cardoso (ainda no PSD) esperneia para ser candidato à reeleição em outro partido, como se houvesse outro partido e como se outro partido tivesse candidato a governador para fazerem dobradinha. Não existe. Vanderlan vai sobrar, a menos que Caiado decida repetir 2022 e encher sua chapa de perdedores para o Senado – saem oito e só Gracinha Caiado será eleita. Diluir os apoios é uma péssima ideia, a vencedora é antiga, a do “Vote nos 3”, que em 1986 elegeu Santillo governador, Irapuan Costa Júnior e Iram Saraiva para o Senado, em 1994 levou Maguito para o Palácio das Esmeraldas, Iris e Mauro Miranda para o Senado, em 2002 e 2010 com Marconi governador, Demóstenes Torres e Lúcia Vânia senadores. Sem novidades.
Marconi assumiu o governo em 1999 aos 35 anos de idade. Expertise zero, mas formou uma equipe nota 10. O mesmo ocorreu com Caiado em 2019. Caixa zerado, porém revelou diversos serviços para público. Vai acontecer o mesmo com o eleito neste ano, qualquer que seja ele. Em 2006, o então vice-governador Alcides Rodrigues assumiu no lugar de Marconi, que batia recordes de avaliações positivas. Alcides parecia pouco afeito à rotina do governo, mesmo assim foi reeleito e entregou o Estado em muito melhor condição do que o recebeu.
Deixe com a iniciativa privada que ela resolve
Goiás chegou a um ponto em que a iniciativa privada dobrou o cabo da boa esperança e navega célere rumo às melhores especiarias do mundo. O que o governador, qualquer que seja ele, não pode é atrapalhar. Deixe as estradas transitáveis, melhore a energia e implemente as políticas públicas de desenvolvimento, que incluem a capacitação técnica da mão de obra, saúde laboral e pesquisa. O restante pode deixar com o particular que ele resolve.
Os bons auxiliares revelados pelos diferentes governadores ainda estão por aí, somados à nova geração, que se renova a cada período de quatro anos, o lapso suficiente para os cursos mais importantes. Isso nunca parou. Neste último 31 janeiro se completaram 60 anos que Goiás não para de crescer. Sim, inclui o período do regime militar, que mesmo sem voto rendeu governadores dignos de elogios, como Leonino Caiado e Irapuan Costa Júnior, mas a era do progresso contínuo começou com Otávio Lage, o último eleito antes de Iris.
Portanto, não há o menor risco de Goiás regredir. Os fundamentos da boa gestão e os órgãos de controle, que incluem as redes sociais, são os mesmos para todos os concorrentes. Caberá a Daniel, Marconi, Wilder e o candidato do PT apenas fazer a parte política, pois os empresários, os produtores rurais, os profissionais liberais e os jovens pesquisadores empreendedores já sabem a receita do sucesso: ficar distante da burocracia e perto dos avanços que os aproximem do bilhão. De dólares. Se o governo não atrapalhar, já cumpriu o seu plano de metas. (Especial para O HOJE)