PSB amplia protagonismo em Goiás e força definição sobre alianças em 2026
Partido agora precisa decidir se compõe com o PT, sustenta candidatura própria ao governo ou amplia o diálogo para além do campo tradicional da esquerda
A mobilização da cúpula nacional do PSB na noite de terça-feira (10) em Goiânia ultrapassou o simbolismo. A participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, do presidente nacional da legenda, o prefeito João Campos, de Recife (PE), do ministro Márcio França, do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, e da deputada federal Tabata Amaral (SP) confere respaldo político à reorganização do partido em Goiás e sinaliza que a sigla pretende exercer papel central na eleição estadual de 2026.
Sob a presidência estadual de Aava Santiago (PSB), o partido entra em fase de fortalecimento estrutural e ampliação de presença política. O gesto da direção nacional funciona como autorização estratégica: o PSB não quer apenas integrar uma composição, mas influenciar o desenho da majoritária.
Esse movimento impacta diretamente o PT, que mantém posição clara. Pré-candidato ao governo, o advogado Valério Luiz Filho (PT) afirma que o partido está aberto ao diálogo e à construção de unidade dentro do campo progressista. No entanto, estabelece condição objetiva: qualquer composição passa necessariamente pela manutenção de candidatura própria do PT ao governo.
A declaração delimita o terreno das negociações. O PT se apresenta como eixo da aliança, mas não abre mão da cabeça de chapa. Na prática, isso impõe ao PSB uma escolha estratégica, que é aceitar posição secundária em uma frente liderada pelo partido ou construir alternativa que preserve maior autonomia.
Hoje, três caminhos se desenham para o PSB. O primeiro é integrar uma frente encabeçada pelo PT e reproduzir em Goiás a lógica da coalizão nacional que sustenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse cenário, o partido negociaria espaços na majoritária e compromissos programáticos, ao reconhecer a liderança petista.
O segundo caminho é sustentar candidatura própria no primeiro turno. O fortalecimento interno e a presença da direção nacional criam ambiente político para essa hipótese. Uma candidatura permitiria ao PSB medir força, ampliar visibilidade e chegar ao segundo turno com maior poder de negociação.
A terceira possibilidade envolve diálogo mais amplo, inclusive com setores fora da federação tradicional de esquerda, formada por PT, PCdoB e PV. Conversas pontuais com lideranças do PSDB do ex-governador Marconi Perillo são admitidas, embora ainda sem formalização pelas executivas partidárias. O simples fato de esses contatos existirem demonstra que o partido mantém margem de manobra.

Construção de frente ampla
Nesse contexto, outras movimentações reforçam o ambiente de definição. O vereador Edward Madureira (PT) colocou o nome à disposição para eventual disputa ao governo, embora também avalie candidatura a deputado federal. Ao defender a construção de uma frente ampla para garantir um palanque competitivo a Lula em Goiás, o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG) ecoa a estratégia nacional, mas também evidencia que o debate sobre liderança ainda está aberto dentro do campo progressista.
O cenário que se consolida é de fragmentação administrada no primeiro turno. O PT afirma protagonismo e impõe condição política. O PSB ganha centralidade ao decidir se aceita essa configuração ou se testa força própria. Cada movimento passa a ter efeito direto na engenharia eleitoral.
Base caiadista se consolida em Goiás
Enquanto isso, o grupo do governador Ronaldo Caiado (PSD) avança na consolidação territorial. O vice-governador Daniel Vilela (MDB) intensifica as agendas no interior para fortalecer suas bases municipais e ampliar a presença regional. A base governista opera com antecedência, enquanto o campo progressista ajusta sua equação interna.
A presença de Alckmin e João Campos em Goiânia não foi apenas um gesto partidário. Foi sinal estratégico de que o PSB pretende participar ativamente da definição do campo progressista em Goiás. O destino da legenda em 2026 dependerá de como pretende equilibrar a ambição eleitoral e a necessidade de convergência diante da posição firme do PT. (Especial para O HOJE)
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