O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Maternidades goianas

Paço estende contratos emergenciais em maternidades e adia definição nas unidades

Prorrogação nas maternidades vale por mais 180 dias, enquanto SMS conclui chamamento público para contratos definitivos

Letícia Leitepor Letícia Leite em 18 de fevereiro de 2026
11 abre Maternidades em Goiania Foto Divulgacao Secom
Gestão afirma que renovação evita descontinuidade no atendimento a gestantes e recém-nascidos. Foto: Divulgação/Secom

A Prefeitura de Goiânia vai renovar por mais 180 dias os contratos emergenciais com as Organizações Sociais (OSs) responsáveis pela gestão das três maternidades municipais. A prorrogação ocorre enquanto a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) conduz o processo de chamamento público que definirá, de forma definitiva, as entidades que irão administrar as unidades pelos próximos anos.

A medida alcança a Maternidade Dona Íris, o Hospital e Maternidade Célia Câmara e a Maternidade Nascer Cidadão. Os contratos atuais vencem nesta semana e, segundo a prefeitura, a renovação assegura a continuidade dos serviços sem risco de interrupção no atendimento a gestantes e recém-nascidos.

Desde agosto do ano passado, o Instituto Patris responde pela gestão da Dona Íris; a Sociedade Brasileira São José administra o Célia Câmara; e a Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB) conduz a Nascer Cidadão. As três organizações assumiram as unidades após o encerramento do modelo anterior, que tinha como principal operadora a Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc) da Universidade Federal de Goiás (UFG).

A mudança ocorreu em meio a uma crise financeira e administrativa que se intensificou a partir de 2023, durante a gestão do então prefeito Rogério Cruz e do ex-secretário de Saúde Wilson Pollara. 

Com a troca de gestão municipal e a posse do prefeito Sandro Mabel, a administração anunciou revisão dos custos e dos planos de trabalho das maternidades. O Executivo obteve autorização para reduzir o montante global destinado às unidades, que anteriormente ultrapassava R$ 20 milhões mensais, para os atuais cerca de R$ 12,7 milhões. A alteração, segundo a prefeitura, buscou adequar despesas à capacidade orçamentária do município e reequilibrar as contas da saúde.

A legislação não trata de forma expressa da renovação sucessiva de contratos emergenciais com organizações sociais, mas há entendimento jurídico de que a prorrogação pode ocorrer em caráter excepcional, desde que não ultrapasse o limite de um ano. 

Chamamento público para contratação definitiva das gestoras nas maternidades

O chamamento público para contratação definitiva das gestoras foi iniciado em fevereiro. Sete organizações sociais estão habilitadas a participar do processo, como a Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (AGIR), de Goiás (GO); Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde (INSAÚDE), de São Paulo (SP); Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB), de São Paulo (SP); Associação Beneficente João Paulo II, de Pernambuco (PE); Instituto Patris, de Mato Grosso (MT); Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Bernardo do Campo, de São Paulo (SP) e Beneficência Hospitalar de Cesário Lange, de São Paulo (SP). A seleção integra a estratégia da SMS para substituir os contratos emergenciais por ajustes regulares firmados por meio de concorrência pública.

A estimativa interna é que, após a publicação do edital, o processo completo — da fase de análise de propostas até a homologação e assinatura dos contratos — leve entre 120 e 180 dias. Os futuros contratos deverão ter vigência de até 60 meses, com previsão de metas quantitativas e qualitativas e mecanismos de fiscalização mais rigorosos.

Continuidade do atendimento

Em reportagens anteriores, a SMS afirmou que as atuais organizações cumprem metas assistenciais, apresentam prestações de contas regulares e mantêm o funcionamento das unidades sem registro de irregularidades graves. Relatórios de acompanhamento apontam manutenção de atendimentos de urgência obstétrica, partos de risco habitual e acompanhamento neonatal.

Ao O Popular, a pasta argumenta que eventual interrupção dos contratos poderia gerar sobrecarga em outras unidades da rede municipal e estadual, que não dispõem de estrutura suficiente para absorver toda a demanda. O impacto poderia atingir principalmente gestantes em situação de vulnerabilidade social, que dependem integralmente do atendimento público.

Procurada pelo O HOJE, a pasta informou, em nota, que “os três contratos para gestão das maternidades municipais serão renovados por mais 180 dias ou até a finalização do processo de chamamento público em andamento”. A secretaria acrescentou que “os termos aditivos terão os mesmos valores dos termos de colaboração anteriores” e que o processo administrativo já foi concluído, com assinaturas formalizadas, restando apenas a publicação dos documentos no Diário Oficial do Município.

Com a prorrogação, a prefeitura amplia o prazo para concluir a seleção pública e formalizar os contratos definitivos. Enquanto isso, as três maternidades seguem no comando do atendimento obstétrico da Capital, responsáveis por milhares de partos ao ano e por parte significativa da assistência materno-infantil ofertada na rede pública de Goiânia.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também