Gestão aprovada garante voto? O desafio de Daniel até outubro
Vice-governador aposta em continuidade, entregas e articulação política para transformar sete anos de governo Caiado em capital eleitoral nas urnas
Com um governo que deve encerrar o mandato com índices inéditos de aprovação, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) enfrenta agora um desafio que vai além da gestão: transformar os resultados acumulados ao longo de sete anos de governo Ronaldo Caiado (PSD) em capital eleitoral nas urnas.
A leitura interna no grupo governista é de que a alta aprovação do governo não se transfere automaticamente para a disputa eleitoral. Para aliados, o primeiro passo está na continuidade das políticas públicas que sustentam a popularidade da atual gestão, especialmente nas áreas de segurança pública, educação, saúde e políticas sociais.
Ligado ao vice-governador e filiado ao MDB, o ex-deputado federal Euler Morais avalia que manter essas agendas é essencial para preservar a confiança do eleitor. “O ponto é dar continuidade às ações que comprovadamente dão resultado muito positivo e correspondem ao alto nível de aprovação do governo”, afirmou. Segundo Morais, além da manutenção, há espaço para avanço em áreas como ciência, tecnologia e inovação, alinhadas ao perfil de Daniel.
Outro eixo destacado por Euler é a necessidade de acelerar e concluir entregas em curso, especialmente obras de infraestrutura. “A consolidação das entregas, sobretudo das obras financiadas com recursos do fundo de infraestrutura, será fundamental para que o setor produtivo perceba o retorno desse esforço”, disse, ao citar investimentos em estradas, pontes e logística para o escoamento da produção.
Nos bastidores, a antecipação do encerramento do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), conhecido como “Taxa do Agro”, é vista como uma tentativa de neutralizar desgastes políticos e concentrar o discurso eleitoral na efetividade das entregas, para evitar que o debate da campanha se desloque para cobranças ou taxas.
Para além da gestão, aliados apontam que a eleição exigirá forte articulação política. Prefeitos, deputados estaduais e federais, além de vereadores, são considerados peças-chave para transformar boa avaliação em voto consolidado, especialmente no interior. A aposta é que a capilaridade dessas lideranças ajude a traduzir ações administrativas em discurso compreensível ao eleitor.
Forma de comunicar
No campo da comunicação, o diagnóstico é que o desafio não está na quantidade de informações divulgadas, mas na forma como elas são organizadas. A mestre em inovação em comunicação e especialista em política Ana Carolina Carvalho avalia que governos costumam errar ao tratar eleição como mera extensão da gestão. “O eleitor vota a partir de significado, não de planilha. É preciso traduzir a gestão em impacto percebido”, analisa.
Segundo Ana Carolina, o principal gargalo costuma estar na ausência de uma narrativa estruturada. “A comunicação transmite, mas a narrativa organiza sentido. Sem uma história coerente, a boa avaliação fica difusa e não se converte automaticamente em intenção de voto”, afirma.
Nesse cenário, Daniel precisa equilibrar herança e identidade. Além de carregar o legado administrativo de Caiado, também herda o capital simbólico ligado à trajetória do pai, o ex-governador Maguito Vilela. O desafio, avaliam aliados, é apresentar continuidade sem perder protagonismo, ao associar estabilidade a renovação.
Traduzido para o cotidiano
O discurso de harmonia institucional, reforçado na abertura do ano legislativo estadual, é visto como ativo político, mas que precisará ser traduzido para o cotidiano do eleitor.
E, no fim das contas, a eleição não será um plebiscito sobre a qualidade da gestão, mas sobre a capacidade de transformá-la em escolha política. Governos bem avaliados caem quando tratam o eleitor como espectador de relatório, e não como personagem da história. Se Daniel quiser herdar votos, e não apenas números, precisará sair da lógica do “o Estado fez” e entrar na do “a vida mudou”. Resultado de governo só vira voto quando tem rosto, território e propósito. O resto é estatística. (Especial para O HOJE)
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