Produção de mandioca cresce 15% em Goiás e movimenta R$ 213 milhões
Com alta de 83% no valor da produção e 18% de expansão na área plantada, cultura ganha força na agroindústria e na agricultura familiar.
A produção de mandioca em Goiás vive um ciclo de expansão que combina aumento de área plantada, valorização econômica e fortalecimento da agroindústria. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que o Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura no estado saltou de R$ 116,7 milhões em 2016 para R$ 213,5 milhões em 2025, avanço de 83% no período . O desempenho supera a média nacional e consolida a raiz como uma das cadeias estratégicas do agronegócio goiano.
Entre 2020 e 2025, a produção estadual cresceu 15,3%, atingindo 194,4 mil toneladas, impulsionada principalmente pela ampliação de 18,3% na área cultivada . O movimento indica não apenas ganho de produtividade, mas também maior presença territorial da cultura em diferentes regiões do estado.
Expansão da área plantada sustenta crescimento
O avanço de 18,3% na área plantada nos últimos cinco anos revela uma mudança estrutural no campo. Produtores ampliaram lavouras estimulados por preços mais atrativos, demanda industrial crescente e menor risco climático em comparação a culturas mais sensíveis.
A mandioca tem como diferencial a rusticidade e a capacidade de adaptação a solos variados, característica que favorece sua expansão para áreas antes ocupadas por pastagens degradadas ou culturas de menor rentabilidade. Essa flexibilidade reduz custos de implantação e amplia a competitividade do produtor.

Industrialização fortalece a cadeia produtiva
Análise da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) aponta que o crescimento recente está diretamente ligado à consolidação da agroindústria de processamento. A produção de farinha, fécula e derivados agrega valor à matéria-prima e amplia o alcance comercial da cultura.
A mandioca movimenta uma cadeia que envolve transporte, beneficiamento, embalagens e distribuição, gerando empregos no meio rural e urbano. O avanço do processamento industrial também reduz a dependência de venda in natura, garantindo maior estabilidade de renda ao produtor.
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Políticas públicas impulsionam a agricultura familiar
Para o secretário da Seapa, Pedro Leonardo Rezende, o desempenho positivo reflete investimentos direcionados à agricultura familiar. Segundo ele, programas estaduais e federais têm ampliado a capacidade de beneficiamento e escoamento da produção.
Entre as iniciativas destacadas estão a Fábrica Móvel de Farinha e Goma, que leva estrutura de processamento a diferentes municípios, e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que garante mercado institucional para pequenos produtores. Essas políticas contribuem para reduzir perdas pós-colheita e ampliar margens de comercialização.

Impacto econômico e social no campo
Além de seu peso econômico, a mandioca tem papel estratégico na segurança alimentar do Brasil. Base de alimentação em diversas regiões, a cultura combina geração de renda com abastecimento interno.
Em Goiás, o crescimento de 83% no VBP em menos de uma década sinaliza maturidade da cadeia e maior inserção no mercado regional. A publicação mensal “Agro em Dados”, da Seapa, destaca que a mandiocultura vem se consolidando como alternativa viável para diversificação produtiva, especialmente em propriedades familiares.
Perspectivas para os próximos anos
Com 194,4 mil toneladas colhidas e receita superior a R$ 213 milhões, a tendência é de continuidade do crescimento, sobretudo se houver ampliação da agroindustrialização e acesso a crédito rural. A consolidação de mercados para fécula e farinha, inclusive fora do estado, pode elevar ainda mais o valor agregado da produção.
O cenário aponta para uma cultura que deixou de ser apenas complementar e passou a ocupar espaço relevante na pauta agropecuária goiana. Ao combinar expansão de área, fortalecimento industrial e políticas públicas direcionadas, a mandioca se firma como vetor de desenvolvimento regional e oportunidade de negócios no campo.