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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Destino internacional

Goiânia consolida estrutura de padrão internacional para sediar MotoGP

Com mais de 90% das obras concluídas, o Autódromo Internacional Ayrton Senna em Goiânia passa pelos ajustes finais para receber o campeonato em março de 2026

João Césarpor João César em 23 de fevereiro de 2026
Goiânia
Reforma de R$ 250 milhões modernizou pista, paddock, torre de controle e áreas de segurança do Autódromo Internacional Ayrton Senna - Foto: André Saddi e Cristiano Borges

Às vésperas da volta da MotoGP ao Brasil após 22 anos, o Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, entra na etapa final de preparação para receber a principal categoria da motovelocidade mundial. A Capital goiana sediará a segunda etapa do calendário de 2026, programada para os dias 20, 21 e 22 de março, recolocando o País na rota do campeonato internacional.

 

O autódromo permaneceu fechado por quase um ano para a execução de uma ampla requalificação iniciada em 2025. As obras envolveram intervenções estruturais profundas e adequações técnicas exigidas pelos regulamentos internacionais. Com mais de 90% dos serviços concluídos, o complexo passa por ajustes finais antes da reabertura oficial, enquanto equipes técnicas finalizam detalhes operacionais e estruturais necessários para a realização da prova.

 

O conjunto de melhorias inclui a reconstrução e ampliação do paddock, espaço destinado às equipes e aos boxes; a modernização das arquibancadas e camarotes; a construção de uma nova torre de controle; a implantação de um centro médico atualizado; além da reforma do setor administrativo, blocos de apoio e áreas para armazenamento de materiais, resíduos e óleo. As intervenções também contemplaram a pista, que recebeu alargamento em trechos estratégicos, reestruturação das caixas de brita e atualização das áreas de escape, seguindo parâmetros de segurança definidos para competições internacionais.

 

Além das mudanças físicas, foram implementados novos sistemas tecnológicos e operacionais para atender às exigências técnicas da categoria. Entre eles estão sistemas de monitoramento, comunicação e controle de prova, considerados fundamentais para a homologação do circuito. O objetivo foi adequar o autódromo aos padrões atuais de segurança e funcionamento adotados em etapas internacionais do campeonato.

 

Repercussão no meio 

 

Durante participação no podcast Pelas Pistas 360, o piloto Nelson Piquet Jr. comentou sobre a nova estrutura do autódromo goiano. Ex-piloto de Fórmula 1 e atualmente competindo na Stock Car Pro Series e na TCR South America, ele afirmou que o circuito passa a ocupar posição de destaque no cenário nacional. Segundo o piloto, o espaço, após as obras, apresenta padrão estrutural comparável ao do Autódromo de Interlagos, em São Paulo, tradicional palco do automobilismo brasileiro.

 

No mesmo episódio, o ex-piloto Christian Fittipaldi também comentou sobre o traçado goiano. Ele fez uma analogia com a pista de Portland, nos Estados Unidos, destacando características como o perfil plano do circuito e o desenho técnico do traçado. As declarações de ambos reforçam a percepção positiva no meio esportivo sobre a reestruturação do autódromo.

 

O investimento do Governo de Goiás na requalificação do complexo é de R$ 250 milhões. De acordo com a Secretaria de Esporte e Lazer, os recursos foram destinados tanto à modernização da pista quanto à atualização completa das áreas operacionais e de apoio. O secretário Nilton Moreira realizou vistoria no local em visita aberta à imprensa e afirmou que as intervenções atenderam às exigências técnicas estabelecidas para a realização da MotoGP no Brasil.

 

No dia 28 de fevereiro, o autódromo receberá um evento-teste com pilotos convidados. A atividade terá como objetivo avaliar o funcionamento dos sistemas, a operação da pista e a integração entre as diferentes estruturas do complexo. Técnicos da Federação Internacional de Motociclismo (FIM) devem participar do processo de homologação do circuito, etapa necessária para confirmar a realização da prova em março. Os testes ocorrerão sem a presença de público.

 

A infraestrutura do complexo está praticamente concluída. A torre de controle e os blocos operacionais já foram finalizados, enquanto a montagem das arquibancadas e das áreas temporárias de apoio ao público segue em andamento. Estruturas complementares, como espaços de hospitalidade, áreas técnicas e pontos de atendimento, também estão sendo finalizadas para garantir a operação do evento dentro do cronograma previsto.

 

Além das obras no autódromo, o Estado desenvolve um plano de mobilidade para organizar o fluxo de trânsito e facilitar o acesso ao autódromo nos dias de competição. A proposta envolve ações coordenadas entre diferentes órgãos para garantir deslocamento adequado de público, equipes e profissionais envolvidos na realização da etapa. 

 

Segundo a Secretaria de Esporte e Lazer, o nível de intervenção realizado habilita o autódromo a receber outras competições nacionais e internacionais de velocidade além da MotoGP. A atualização das áreas de segurança, a modernização da pista e a adequação das estruturas operacionais ampliam o leque de possibilidades para utilização do espaço em diferentes categorias do esporte a motor.

 

A etapa marcada para março simboliza o retorno do mundial de motovelocidade ao Brasil após mais de duas décadas. Com a conclusão das obras e a homologação da pista, Goiânia volta a integrar o calendário internacional da modalidade, consolidando o autódromo como um dos principais equipamentos esportivos do País voltados ao automobilismo e à motovelocidade. 

Campeonato impulsiona hotelaria e reforça Goiânia como polo de eventos

O Governo de Goiás tem adotado estratégias para posicionar Goiânia e o Estado como destino de turistas nacionais e internacionais. Com a atração de eventos de grande porte, diferentes segmentos da economia passam a ampliar investimentos e acompanhar o aumento da demanda por serviços.

 

Na rede hoteleira de Goiânia e da Região Metropolitana, a realização da MotoGP já reflete diretamente nas reservas. Para o fim de semana do evento, a taxa de ocupação na Capital gira em torno de 90%. Em Anápolis, o índice está próximo de 80%, enquanto em Trindade a ocupação alcança cerca de 60%.

 

Os números indicam que, no setor de hotelaria, a região se organiza para receber visitantes de diferentes estados e também do exterior, que devem acompanhar a etapa brasileira da principal categoria da motovelocidade mundial. No segmento de entretenimento e vida noturna, o Sindicato dos Bares e Restaurantes de Goiânia avalia que a Capital dispõe de estrutura para atender ao aumento temporário da demanda. Desde o anúncio da prova, empresários do setor têm se mobilizado para ajustar equipes, estoques e logística.

 

A confirmação da etapa da MotoGP em Goiânia também reforça o posicionamento do Estado como apto a sediar eventos internacionais. Essa estrutura, no entanto, é resultado de um processo construído ao longo dos anos. A Capital já integra o calendário de competições do automobilismo nacional, recebendo etapas da Stock Car, Fórmula Truck, do Rally dos Sertões, Porsche Cup e Nascar Brasil.

 

Com histórico consolidado no automobilismo e na motovelocidade, Goiânia acumulou experiência operacional e técnica na organização de grandes provas. A partir desse cenário, amplia-se a perspectiva de atrair novos formatos de eventos, incluindo festivais musicais de grande porte e iniciativas voltadas à promoção de destinos turísticos do interior do Estado, como Caldas Novas, Pirenópolis, Chapada dos Veadeiros e o Parque Estadual da Terra Ronca.

 

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