Marília Tavares detalha rotina de shows e próximos projetos
Cantora relembra início em Roraima, comenta passagem pelo The Voice Kids e anuncia DVD no estado natal
A edição da última segunda-feira (23) do podcast Manda Vê, apresentado por Juan Allaesse e Isadora Carvalho, recebeu Marília Tavares para uma conversa que funcionou como balanço de trajetória e anúncio de próximos passos. Aos 22 anos, a artista nascida em Roraima falou sobre a infância cantando em igrejas, a projeção nacional e os desafios de consolidar espaço em um gênero historicamente dominado por homens.
Natural de Caracaraí, município com cerca de 30 mil habitantes, Marília iniciou a vida musical na igreja e em eventos da cidade. Cantava em aniversários, festivais locais e apresentações públicas. A primeira inflexão relevante ocorreu com a inscrição no The Voice Kids. Na primeira tentativa, não foi selecionada. Persistiu. Entrou na edição seguinte, aos 12 anos. A participação exigia sigilo absoluto: viagens para gravações, retorno imediato à cidade e silêncio contratual até a exibição. A apresentação com virada de cadeira, exibida apenas no último domingo daquela fase, gerou expectativa e tensão na escola e na própria família.
Encerrado o programa, a cantora voltou para Roraima e passou a se apresentar em voz e violão. O que era atividade paralela ganhou ritmo profissional. De terça a sábado, mantinha agenda fixa de shows. Havia noites com duas apresentações consecutivas, repertório repetido e público que migrava de um espaço para outro. “Eu comecei a ganhar dinheiro e a chavinha virou”, resumiu no podcast, ao explicar o momento em que decidiu abandonar o plano de cursar medicina. A intenção inicial era a cardiologia. A música, contudo, ocupou o espaço definitivo.
A estrutura da banda começou de forma enxuta: violão e bateria. Com o aumento da procura, os músicos foram fixados e os ensaios passaram a integrar a rotina. A consolidação em Boa Vista resultou em reconhecimento local. O alcance nacional ganhou impulso após abrir um show do cantor Pablo, que a convidou para integrar seu escritório. Antes disso, ele já a seguia nas redes sociais após assistir a um vídeo em que interpretava uma de suas canções.
O convite incluiu participação em DVD e assinatura contratual. A mudança para Salvador marcou a transição geográfica. Em seguida, veio a Goiânia, onde reside há três anos. Na capital goiana, gravou o DVD “Maturidade”, no dia do próprio aniversário de 18 anos, além de projetos como “Histórias Sinceras” e o acústico “Sessions”. No episódio, cantou trechos de repertório autoral e regravações, incluindo composições do projeto recente.
Marília descreveu o método de seleção de músicas. O processo envolve audição coletiva, filtragem interna, gravação de guia e avaliação por ouvintes externos ao mercado. A lógica é pragmática: se quem não domina o circuito técnico se identifica, a faixa permanece. Entre as canções que considera pouco exploradas comercialmente, citou “Arma de Vingança” e “Saudade Diferente”. No acústico, incluiu regravações sugeridas pelo público por meio de caixa de perguntas nas redes sociais.
A cantora também comentou a diferença de recepção entre regiões. Segundo ela, Norte e Nordeste reagem com maior intensidade. No Sul e Sudeste, percebe comportamento mais contido, o que a faz questionar, durante o palco, se a resposta está sendo positiva. Ainda assim, mantém a estratégia de circulação nacional.
No episódio, abordou ainda a cirurgia estética realizada há um mês, mencionando recuperação rápida e retorno antecipado aos compromissos. Durante o Carnaval, apresentou-se em formato trio e em cidades do Pará, incluindo Santarém, onde relatou público numeroso na orla. Não atribuiu o movimento à campanha específica, mas ao reconhecimento acumulado.
Ao tratar de ambição, foi direta: pretende alcançar patamar nacional comparável ao de grandes nomes do sertanejo contemporâneo. Citou a intenção de gravar um DVD em Roraima, movimento que combina expansão de carreira com retorno simbólico às origens. Também mencionou parcerias já lançadas, como com Hugo Henrique e Victor & Vinicius.
Quando questionada sobre o sucesso, definiu como a realização da adolescente que decidiu transformar o palco em profissão. Quer adquirir casa própria, carro e garantir estabilidade familiar. Não descreveu a meta como ostentação, mas como segurança.
Entre improvisos musicais e provocações do estúdio, o episódio revelou uma artista que combina memória de interior, disciplina de agenda e leitura objetiva de mercado. A trajetória, construída entre longas viagens de ônibus no Norte e gravações em Goiânia, ainda não atingiu o ápice pretendido. O planejamento, no entanto, está delineado.
O episódio completo está disponível no canal do YouTube do podcast Manda Vê.
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